Montadoras integram sistemas de áudio à rede eletrônica do carro, com cancelamento de ruído e ronco sintético. Isso torna a troca de rádios e alto-falantes mais difícil e exige adaptações eletrônicas.
Durante os últimos anos, os fabricantes passaram a usar o sistema de som como argumento de venda. Carros com preço acima de R$ 200 mil quase sempre trazem assinaturas de marcas conhecidas, e a chegada de marcas chinesas intensificou a disputa por números de alto-falantes e recursos embarcados.
Os carros modernos também trazem tecnologias que estão atreladas ao sistema de som, como o cancelamento ativo de ruído e as simulações do ronco do motor. Esse conjunto deixou de ser apenas um rádio e alto-falantes: tudo está integrado à arquitetura eletrônica do veículo e até mesmos sons acessórios, como o toque de seta, podem ser reproduzidos pelas caixas de som.
Embora essas especificações sejam atraentes na ficha técnica, muitos audiófilos não ficam satisfeitos com os sistemas de fábrica, e o movimento nas oficinas especializadas segue em alta. Segundo Marcello Franco Figueiredo, especialista em som automotivo e proprietário da Audio Design, as modificações mais procuradas em carros novos são a troca dos alto-falantes por unidades de alta eficiência, o tratamento acústico da cabine e a instalação de amplificadores, processadores e subwoofers.
Marcello afirma que a popularização dos sistemas assinados não reduziu a demanda pela sua oficina. Na avaliação dele, projetos de fábrica frequentemente utilizam alto-falantes comuns, e a assinatura da marca funciona mais como certificação. Entre os modelos que chegam para modificação, ele cita carros da Porsche equipados com sistemas Bose e veículos das marcas do grupo Stellantis com Harman Kardon.
Além das diferenças de qualidade, a entrada de várias marcas chinesas no mercado trouxe arquiteturas eletrônicas distintas, encaixes e peculiaridades que exigem estudo prévio pelo instalador. Marcello relata que, ao receber um carro novo, dedica alguns dias para avaliar o modelo, identificar limitações e entender o que a central multimídia permite.
Em modelos com cancelamento ativo de ruído, o sistema usa contrafrequências aplicadas via alto-falantes para neutralizar ruídos externos. Isso pode inviabilizar trocas simples de componentes. Como exemplo, foi citado o Volvo XC60 T8, no qual não é possível substituir os alto-falantes originais por conta do sistema de cancelamento.
Se você aumentar o tamanho dos alto-falantes e a potência, o barulho fica insuportável, o que impossibilita a montagem.
Em alguns fabricantes há alternativas: nos carros da BMW, ao menos, é possível desativar a função em determinados modelos; Marcello observa que o mesmo não ocorre nos Mercedes-Benz. Outro desafio técnico vem dos veículos elétricos: embora mantenham uma bateria de 12 volts para acessórios, sua capacidade costuma ser menor que em modelos a combustão, o que complica a alimentação de amplificadores.
O instalador precisa avaliar a capacidade do sistema de recarga e, em alguns casos, recomendar baterias ou sistemas de recarga adicionais. Marcello afirma ter dispensado clientes com BYD Seal e Porsche Taycan por não conseguir dados confiáveis sobre a potência de recarga. Ele cita que o BYD Seal utiliza uma bateria de 13 Ah, o que inviabiliza a instalação de um amplificador; em comparação, um Fiat Mobi vem com bateria de 60 Ah.
O crescimento da eletrificação, a integração das funções de cabine à cadeia eletrônica e a diversidade de arquiteturas elevam a complexidade dos projetos de som. Se a intenção for melhorar o áudio do veículo, a recomendação é consultar um especialista e planejar o trabalho com cuidado.







