Mary Barra recebeu US$48,2 milhões no ano passado, alta de 61,7% ante US$29,8 mi. Salário-base ficou em US$2,1 mi desde 2017; salto veio por bônus ligados ao desempenho operacional e à valorização das ações.
A remuneração dos principais executivos da indústria automotiva norte-americana voltou a ganhar destaque após movimentações expressivas nos números operacionais e nas cotações acionárias. No ano passado, Mary Barra, CEO da General Motors, recebeu um pacote salarial total de US$48,2 milhões, um incremento de 61,7% em relação aos US$29,8 milhões do período anterior. Trata-se do maior valor recebido pela executiva desde que assumiu o comando da fabricante em 2014.
O salário-base de Barra permaneceu inalterado em US$2,1 milhões anuais, patamar mantido desde 2017. O salto no contracheque foi atribuído ao desempenho comercial e de mercado da GM: a montadora cresceu 6% nos Estados Unidos, totalizando 2,83 milhões de veículos comercializados, superando isoladamente os números da rival Ford. Paralelamente, a valorização das ações — que começaram o ano negociadas abaixo dos US$52 e encerraram acima dos US$83 — ampliou ganhos com opções e premiações vinculadas a ações, que chegaram a dobrar.
No lado da concorrência, o presidente da Ford, Jim Farley, teve rendimento inferior no mesmo período. Farley encerrou o ano passado com um pacote total de US$16,7 milhões, aproximadamente um terço do montante recebido pela executiva da GM, e representou uma queda de 39,4% frente aos US$27 milhões reportados no ano anterior. Assim como sua contraparte, o salário-base de Farley manteve-se estável em US$1,7 milhão, com a diferença do pacote sendo composta por bônus e premiações em ações.
O movimento de remunerações também impactou empresas menores do setor. Circulou a informação de que o fundador da Rivian, RJ Scaringe, teria recebido valores muito elevados, mas apurações especializadas apontaram números diferentes.
‘apenas’ US$ 12,3 milhões
Segundo essas apurações, o executivo faturou na realidade US$12,3 milhões no período, e pacotes adicionais de ações só seriam liberados caso a empresa atingisse metas agressivas de valorização ao longo da próxima década. Esse tipo de estrutura de pagamento adia parte da remuneração variável, vinculando-a a objetivos de longo prazo.
A discrepância entre os pacotes remuneratórios das cúpulas executivas e o ritmo de reajuste da base de funcionários voltou a alimentar debates sobre governança e distribuição de resultados no setor automotivo. Analistas apontaram que ganhos acionários e metas de desempenho continuam a ter impacto decisivo na composição da remuneração executiva, enquanto políticas salariais para trabalhadores operacionais seguem condicionadas a negociações sindicais e realidade local das fábricas.




