Vídeo do protótipo controlado remotamente viralizou após a exibição de 15 de outubro. Especialistas dizem que o protótipo era muito mais leve que o modelo final, tornando improvável repetir as acrobacias em ruas.
Depois de saltar e girar no ar na apresentação de 15 de outubro, o novo Tesla Roadster passou a ter sua viabilidade técnica questionada por engenheiros, cientistas e pela imprensa especializada. O vídeo da manobra viralizou, mas especialistas apontaram diversos limites técnicos que tornam improvável a repetição das acrobacias em condições reais de rua.
A demonstração foi realizada com um protótipo controlado remotamente, possivelmente muito mais leve do que a versão final prevista para produção. Essa diferença de massa é um dos pontos centrais das críticas: reduzir peso em protótipos de exibição facilita acrobacias que não refletem a engenharia necessária em modelos homologados para circulação.
O item mais criticado é a autonomia. Em 2017 a Tesla havia prometido 998 km de alcance com uma bateria de 200 kWh; agora a marca anuncia pouco mais de 483 km, sem revelar a capacidade do conjunto. A redução do pack energético é interpretada por analistas como uma estratégia para cortar peso e liberar espaço para sistemas adicionais instalados no protótipo.
Além das ventoinhas destinadas a “grudar” o carro ao solo, o Roadster apresentado inclui tanques de gás comprimido usados para gerar empuxo. Segundo relato do vice-presidente de engenharia da Tesla, Lars Moravy, a versão Thrust terá um cilindro de 200 litros posicionado atrás dos bancos, enquanto a versão Rocket — descrita como a única capaz de “voar” — troca o banco do passageiro por um tanque de 400 litros. Cada carga do sistema de gás rende cerca de cinco segundos de empuxo, e o reabastecimento foi informado como levando entre duas e seis horas.
O rendimento desses jatos de gás frio é alvo de ceticismo técnico. Foi apontado que, sem queima de combustível, o impulso produzido por gás comprimido é significativamente inferior ao de motores de foguete a querosene, resultando em durações de empuxo curtas mesmo se parte do peso do veículo for apenas os tanques. Cálculos públicos de um especialista em computação chegaram à conclusão de que empuxos fortes deveriam durar menos de dez segundos, com estimativa mais plausível em torno de cinco segundos — coincidindo com a informação divulgada pela engenharia do projeto.
Dados divulgados também indicam que os tanques da versão Rocket acomodariam cerca de 250 kg de gás em um carro que a empresa visa manter abaixo de 1.700 kg de massa total, reforçando a impressão de que o protótipo exibido seria uma estrutura muito leve preenchida por tanques, distante de um modelo de rua convencional.
O design do Roadster mudou sensivelmente em relação ao cupê de 2017: a proposta original de quatro lugares e teto de vidro removível deu lugar a uma carroceria de duas plazas, com linhas em cunha, portas tipo tesoura e estética inspirada em aviões militares como o SR-71 e o F-35. Apesar das dúvidas técnicas, a fabricante reabriu reservas ao custo aproximado de R$ 252 mil (US$ 50 mil). O preço final permanece em aberto — em 2017 estava estimado em cerca do equivalente a R$ 1 milhão (US$ 200 mil) — e a produção está prevista para 2028.
Também foi informado que a versão Rocket não tem aprovação para circular em vias públicas; em palco, o CEO admitiu que essa configuração não foi projetada priorizando a segurança, o que reforça a distinção entre protótipo de demonstração e veículo homologável para uso cotidiano.








