A empresa assinou acordos para transferir sua filial a uma nova sociedade liderada pelo Grupo Simpa (80%). Tagle terá 20% e a transferência, prevista para 1º de dezembro, está sujeita a condições contratuais.
A Nissan anunciou que não terá mais operação própria na Argentina e passará a vender seus carros no país por meio de um importador. A marca assinou neste mês os acordos definitivos para transferir sua filial argentina a uma nova empresa formada por dois grupos locais, com a transferência prevista para 1º de dezembro, sujeita ao cumprimento de condições contratuais.
A operação será repassada a uma sociedade controlada majoritariamente pelo Grupo Simpa, que terá 80% do capital, enquanto o Grupo Tagle ficará com os 20% restantes. A nova estrutura ficará responsável pela distribuição de veículos, pela cadeia de peças e acessórios, pelo pós-venda e pelo plano de ahorro, sistema comparável a consórcios em outros mercados.
Controle acionário
- Simpa: grupo familiar argentino com mais de 50 anos de atuação em matérias-primas plásticas, máquinas e motos; controlará 80%.
- Tagle: grupo de Córdoba com rede de concessionárias de várias marcas; terá 20%.
Segundo a Nissan, mais de 80% dos funcionários da filial serão transferidos para a nova sociedade, e a rede de 21 concessionárias será mantida. A Argentina passará a integrar a unidade de importadores da Nissan na América Latina, que reúne 36 mercados.
O modelo de representação já é usado pela fabricante no Chile e no Peru, onde filiais foram fechadas e a representação local passou para o importador Astara. Na Argentina, com a saída da operação própria, a gama comercializada será integralmente importada.
Gama de produtos na Argentina
- Kicks: vem da fábrica de Resende (RJ).
- Kait: vem da fábrica de Resende (RJ).
- Versa: fabricado no México.
- Sentra: fabricado no México.
- X-Trail: importado do Japão.
A Nissan também prevê levar ao país a Frontier mexicana e a versão híbrida plug-in da picape, feita na China e recarregável na tomada.
Essa mudança ocorre cerca de um ano depois de a empresa encerrar, em outubro de 2025, a produção da picape Frontier em Córdoba, dentro de um plano global de corte de custos. A linha de produção funcionava desde 2018 no complexo industrial da Renault e tinha o Brasil entre os principais destinos.
Com o fim da produção na Argentina, a fabricação da Frontier foi concentrada no México. O Brasil, por sua vez, ficou sem a picape: a Nissan retirou o modelo da linha por aqui em agosto deste ano.
Do ponto de vista de mercado, a transferência para importador local tende a manter a presença da marca no varejo argentino, ao mesmo tempo em que externaliza responsabilidades operacionais. O efeito sobre preços, prazos de entrega e estratégias de produto dependerá das condições contratuais pendentes e das decisões dos novos controladores a partir de 1º de dezembro.





