O benefício tributário que isentava a importação de veículos elétricos desmontados (SKD e CKD) expirou em 31 de janeiro de 2026, fazendo com que esses modelos retornem ao cronograma de elevação de tarifas para automóveis híbridos e importados. A partir de janeiro de 2027, a alíquota sobre esses veículos será de 35%.
Origem da medida provisória
Em 1º de agosto de 2025, a Secretaria do Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) publicou uma portaria que concedeu isenção temporária ao imposto de importação de carros elétricos semimontados (SKD) e completamente desmontados (CKD). O texto teve vigência de seis meses e atendeu a um pedido da montadora chinesa BYD, interessada em montar veículos no Brasil utilizando peças importadas.
Reação das montadoras tradicionais
Na ocasião, Volkswagen, Stellantis, GM e Toyota enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitando que o benefício não fosse concedido. As fabricantes argumentaram que a medida prejudicaria a competitividade interna, reduziria a demanda por autopeças e mão de obra e poderia provocar desemprego e desequilíbrio na balança comercial.
Resposta da BYD
Em contrapartida, a BYD rebateu as críticas em comunicado próprio, acusando as montadoras tradicionais de tentarem proteger seu modelo de negócios e de recorrerem a “chantagem emocional” para barrar a entrada de inovações. A chinesa afirmou que sua presença no mercado brasileiro gerou receio pelo possível impacto nos preços e na tecnologia oferecida.
Crescimento das importações
Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicam que, entre janeiro e dezembro de 2025, foram emplacados 497.765 carros importados, alta de 6,7% em relação às 466.505 unidades registradas em 2024. A BYD liderou esse movimento, tornando o Brasil o maior mercado internacional da marca, com quase 20% de suas exportações globais em 2024.
Controvérsia sobre produção local
Enquanto a BYD defende que o processo SKD já configura produção nacional, pois aproveita mão de obra e tecnologia locais, a Anfavea sustenta que suas associadas realizam toda a montagem internamente e, por isso, não deveriam concorrer sob as mesmas condições tributárias.
Com o fim da isenção, todos os veículos elétricos desmontados voltam a pagar a tarifa integral e seguirão o escalonamento até atingir 35% de imposto em janeiro de 2027.
Com informações de G1





