A Stellantis, grupo controlador de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, Ram e Chrysler, registrou prejuízo líquido de 25,4 bilhões de euros em 2025, o equivalente a R$ 153,9 bilhões na cotação atual. A maior parte das perdas foi contabilizada no segundo semestre, sobretudo em função de ajustes no planejamento de eletrificação da frota.
O resultado negativo já havia sido antecipado em estimativas preliminares divulgadas três semanas antes do fechamento do balanço. Segundo a empresa, o mercado de veículos elétricos não evoluiu na velocidade projetada, levando a provisões contábeis mais altas para adequar o portfólio de produtos.
Resultados financeiros de 2025
Ao longo do ano, a Stellantis contabilizou baixas contábeis de 25,4 bilhões de euros, das quais 22,2 bilhões foram reconhecidas entre julho e dezembro. Esse impacto pressionou as ações da companhia em Milão, que acumulam queda de cerca de 20% desde o anúncio das perdas e recuaram 30% no ano.
Desempenho operacional
No segundo semestre, o prejuízo operacional ajustado atingiu 1,38 bilhão de euros (aproximadamente R$ 8,4 bilhões). Esse indicador desconsidera eventos extraordinários, como encerramento de fábricas, e reflete a saúde das operações regulares.
Em contrapartida, a receita consolidada do grupo cresceu 10% entre julho e dezembro, alcançando 79,25 bilhões de euros (R$ 480,3 bilhões). As entregas globais de veículos subiram 11%, embora o avanço no segmento elétrico tenha ficado abaixo das expectativas iniciais.
Perspectivas para 2026
Em comunicado, o CEO Antonio Filosa admitiu que a empresa superestimou o ritmo de transição para eletrificação e anunciou planos para realinhar a estratégia. Segundo ele, no segundo semestre já foram observados sinais iniciais de recuperação nos indicadores de qualidade, lançamentos e receita.
Para 2026, a Stellantis manteve a previsão de crescimento moderado de receita e de margem operacional baixa, porém positiva. O fluxo de caixa livre, que considera os recursos disponíveis após investimentos, só deve retornar a números positivos em 2027.
O desempenho da Stellantis ilustra os obstáculos enfrentados globalmente pelas montadoras na migração de motores a combustão para alternativas elétricas, especialmente após revisões de metas voluntárias para veículos elétricos em mercados como Estados Unidos e Europa.
Com informações de G1





