O valor do litro de diesel comercializado nos postos brasileiros disparou 19,41% em apenas duas semanas e chegou a R$ 7,26, de acordo com levantamento divulgado nesta sexta-feira (20) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O patamar representa alta de 6,76% em relação à semana anterior, quando o preço médio estava em R$ 6,80. Antes do início do conflito no Oriente Médio, o combustível custava, em média, R$ 6,08.
Diferenças regionais
Os técnicos da ANP identificaram o maior preço do diesel em Brumado (BA), onde o litro foi vendido a R$ 8,99. Na outra ponta, João Pessoa (PA) registrou o menor preço, R$ 5,79. A agência pesquisou valores em quase todo o território nacional entre 10 e 16 de março.
Gasolina e etanol também sobem
No mesmo período, o preço médio da gasolina passou para R$ 6,65 por litro, avanço de 2,94%. O maior valor foi observado em Guarujá (SP), a R$ 9,39, enquanto o menor apareceu na capital paulista, R$ 5,49. Já o etanol foi comercializado, em média, a R$ 4,70, alta semanal de 1,29%. O litro mais caro, R$ 6,99, foi visto em Santa Maria (RS); o mais barato, R$ 3,86, em Lins (SP).
Pressão da guerra sobre o petróleo
Desde o início dos ataques no Oriente Médio, o barril de petróleo saltou de cerca de US$ 60 para mais de US$ 112, elevação de 86,67%. Essa escalada impacta diretamente o custo de produção dos combustíveis, puxando para cima os preços nos postos.
Reação do governo
Para atenuar o impacto na inflação e garantir abastecimento, o governo federal zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, redução estimada em R$ 0,32 por litro. Também instituiu uma subvenção de mesmo valor para produtores e importadores e aumentou o imposto de exportação sobre petróleo cru. Paralelamente, foram anunciadas novas regras de fiscalização para assegurar que os descontos cheguem ao consumidor.
Apesar das medidas, a Petrobras reajustou o preço do diesel nas refinarias em 16%, acompanhando a cotação internacional do petróleo. A decisão provocou críticas de caminhoneiros e deu origem a uma investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão analisa denúncias de que postos elevaram valores antes mesmo da alteração nas refinarias.
Impacto no transporte de cargas
O diesel é o principal combustível usado por caminhões. Quando o preço sobe, o frete fica mais caro e o efeito cascata chega aos produtos transportados, pressionando custos de alimentos, insumos industriais e bens de consumo.
Direitos do consumidor e denúncias
O Procon-SP alerta que postos devem informar preços de forma transparente, sem condicionar valores a programas de fidelidade ou meios de pagamento específicos sem aviso claro. Caso o consumidor identifique preços aparentemente sem justificativa – considerados abusivos segundo o Código de Defesa do Consumidor – ele pode denunciar à ANP ou ao Procon local, apresentando nota fiscal e registros fotográficos do painel de preços.
Com informações de G1





