Brasília, 20 de março de 2026 – Seis entidades que atuam em diferentes elos da cadeia de combustíveis divulgaram nesta sexta-feira (20) um comunicado conjunto pedindo ao governo federal providências adicionais para evitar um cenário de desabastecimento de diesel no país.
O texto leva a assinatura de Fecombustíveis e Sincopetro (varejo), Abicom (importadoras), Refina Brasil (refinarias privadas) e Sindicom e BrasilCom (distribuidoras). O grupo reconhece iniciativas recentes do Planalto para atenuar a escalada de preços, mas sustenta que os efeitos “são limitados” no valor final pago pelos motoristas.
Medidas atuais consideradas insuficientes
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou isenção de tributos federais sobre o diesel e a concessão de subvenção a produtores e importadores. O pacote, estimado em R$ 30 bilhões, tem como meta reduzir em R$ 0,64 o litro nas bombas. Em contrapartida, o governo instituiu imposto sobre a exportação de petróleo.
Segundo as entidades, a política ajuda a conter custos, mas seu alcance depende da formação de preço ao longo de toda a cadeia. Parte do desconto, argumentam, abre espaço para que a Petrobras eleve o valor do diesel “A” nas refinarias, acompanhando a cotação internacional, sem repassar todo o impacto ao consumidor final.
Na prática, prossegue a nota, o consumidor continua pagando mais caro porque adquire o diesel “B”, mistura de 85% de diesel “A” e 15% de biodiesel. Assim, qualquer incentivo incide apenas sobre a parcela majoritária e não chega integralmente ao produto vendido nos postos.
Reajustes e pressão de custo
As associações calculam que o reajuste de R$ 0,38 no diesel “A”, anunciado recentemente pela Petrobras, representa acréscimo de cerca de R$ 0,32 por litro no diesel “B”. Leilões internos da estatal, acrescentam, têm registrado preços entre R$ 1,80 e R$ 2, superiores às próprias referências das refinarias da companhia.
Outra preocupação é o papel de refinarias privadas e importadores, que não participam da extração de petróleo no Brasil e seguem parâmetros internacionais para precificar o diesel “A”. Caso a Petrobras continue sem alinhar volumes e preços ao mercado externo, o risco de escassez pode aumentar, diz o comunicado.
“É imprescindível a adoção de providências, com a maior brevidade possível, para evitar o agravamento dos riscos de desabastecimento nacional”, afirma o documento.
Solicitação de ICMS zero
Para reforçar o corte no preço final, o governo federal propôs que estados zerem o ICMS sobre o diesel até o fim de maio, com ressarcimento de metade da arrecadação perdida. O custo estimado é de R$ 3 bilhões mensais, dos quais R$ 1,5 bilhão sairia do Tesouro Nacional. Governadores, contudo, já sinalizaram resistência, alegando impacto no financiamento de políticas públicas e dúvidas sobre repasse ao consumidor.
Influência externa e impacto na inflação
A tensão no Oriente Médio, exacerbada após ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, elevou o barril de petróleo de US$ 60, no início do ano, para US$ 115. O diesel no Brasil acompanhou a disparada: levantamento da TruckPag mostra avanço de R$ 5,74 para R$ 7,22 por litro desde o fim de fevereiro.
O combustível representa cerca de 45% do preço final influenciado pela Petrobras. Cada aumento pressiona o frete rodoviário, encarece alimentos e bens industriais e desafia a estratégia do governo de conter a inflação em ano eleitoral. Estimativa da consultoria Logos Economia aponta impacto potencial de 0,11 ponto percentual no IPCA de 2026.
Diante desse quadro, o Ministério da Fazenda intensificou a fiscalização da tabela do frete para evitar prejuízos aos caminhoneiros e desencorajar paralisações que possam comprometer a logística do país.
As entidades do setor de combustíveis mantêm a cobrança por medidas rápidas, destacando que a mistura obrigatória, o custo do biodiesel, o ICMS, o frete e a origem do produto influenciam diretamente a efetividade dos incentivos em estudo.
Com informações de G1





