O sistema brake-by-wire elimina circuitos hidráulicos e aposta no controle eletrônico para frear veículos. A inovação chega para transformar um dos componentes mais tradicionais dos automóveis.
A evolução tecnológica alcançou um dos sistemas mais tradicionais dos veículos: o sistema de freios. Com os freios hidráulicos dominando desde o final da Primeira Guerra Mundial, a nova tecnologia brake-by-wire se apresenta como a alternativa promissora, impulsionada pela eletrificação e pela condução autônoma. Assim como já ocorre com a direção e a transmissão, agora os freios passam a adotar um sistema controlado eletronicamente, eliminando a dependência de conexões mecânicas diretas ou fluidos.
Diferente dos sistemas convencionais, o freio elétrico ‘seco’ não utiliza circuitos hidráulicos. A empresa alemã ZF tem desenvolvido um sistema em que, ao pressionar o pedal, uma unidade eletrônica mede a força aplicada e envia sinais digitais para atuadores posicionados nas pinças de freio, que geram a pressão necessária nos discos. Essa arquitetura proporciona respostas significativamente mais rápidas, adequadas para os veículos modernos, que são mais pesados e requerem frenagens dinâmicas, além de facilitar a integração com sistemas de assistência ao condutor (ADAS) de até Nível 4.
Para os veículos elétricos, os benefícios são duplos: essa tecnologia não apenas otimiza a recuperação de energia, mas também elimina o arrasto residual das pastilhas, o que resulta em um aumento da autonomia da bateria. Além disso, a manutenção tende a se tornar mais simples e limpa, já que não há a presença de fluidos corrosivos.
O sistema de freio eletrônico aumenta a eficiência global do sistema e reduz consideravelmente a necessidade de manutenção. Os motores elétricos nas pinças são capazes de gerar pressão de frenagem instantaneamente, superando a velocidade de reação dos sistemas hidráulicos tradicionais. Essa resposta rápida é crucial para a segurança em manobras de emergência, compensando o aumento de peso dos veículos contemporâneos.
Com a dispensa de fluidos de freio, que são tóxicos e corrosivos, o risco de vazamentos é eliminado, assim como a necessidade de trocas periódicas. Sem cilindros hidráulicos ou mangueiras complexas, a manutenção se torna mais simples, econômica e limpa ao longo da vida útil do veículo.
A ZF desenvolveu duas variantes de seu sistema: uma totalmente elétrica para carros de passeio e uma híbrida para picapes. O modelo híbrido mantém o sistema hidráulico na parte frontal e utiliza atuadores elétricos na traseira, adaptando-se assim às necessidades específicas de carga de cada segmento. No sistema híbrido, os atuadores traseiros também funcionam como freio de estacionamento, aplicando uma força de retenção muito superior à dos freios elétricos comuns, garantindo a imobilização segura de picapes e caminhões leves, onde sistemas convencionais poderiam falhar.
Além disso, o sistema é projetado para eliminar totalmente o atrito residual com o disco, evitando desperdício de energia. Essa característica é fundamental para maximizar a autonomia das baterias em veículos elétricos e reduzir a emissão de partículas.








