O aumento do preço do diesel nos postos brasileiros mostrou sinal de desaceleração na última semana, mas o combustível já acumula alta de quase 24% desde o início do conflito no Oriente Médio. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgados em 27 de março indicam que o preço médio do litro do diesel subiu 2,62% em uma semana, atingindo R$ 7,45.
Considerando a evolução desde a semana de 28 de fevereiro, quando o litro custava em média R$ 6,03, a elevação acumulada chegou a 23,55% no período.
Fatores que frearam a alta
A ANP aponta dois fatores que ajudam a explicar a desaceleração do reajuste: a estabilidade do preço do barril de petróleo desde a sexta-feira anterior (20 de março), quando valia US$ 106,41 e passou a valer US$ 106,47; e o pacote de medidas anunciado pelo presidente Lula, que prevê isenção de impostos federais e apoio financeiro a produtores e importadores de diesel.
Variação regional e outros combustíveis
Segundo o levantamento da ANP, o maior preço do diesel foi registrado em Porto Seguro (BA), onde o litro chegou a R$ 9,35. O menor preço foi encontrado em Mococa (SP), a R$ 5,47.
A pesquisa também traz números para os demais combustíveis: a gasolina teve preço médio de R$ 6,78 por litro, com alta de 1,95% na semana; o maior valor registrado foi R$ 9,39 em Guarujá (SP) e o menor, R$ 5,69, no Rio de Janeiro (RJ). O etanol apresentou preço médio de R$ 4,72 por litro, aumento de 0,43% na semana, com pico de R$ 6,59 em Serra Talhada (PE) e mínima de R$ 3,79 em Araraquara (SP).
Impactos da guerra e investigação
O conflito no Oriente Médio levou, neste mês, o preço do barril de petróleo de cerca de US$ 60 para mais de US$ 112, uma elevação de 86,67% no custo da matéria-prima utilizada na produção de combustíveis. Como o diesel é o principal combustível do transporte de cargas no Brasil, a alta tende a elevar o custo do frete e provocar repasses ao longo da cadeia produtiva.
O padrão observado, com reajustes nas bombas sem alteração prévia nos valores praticados pela Petrobras nas refinarias, motivou investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Sindicatos do setor relataram aumentos de preços em diversas regiões mesmo sem mudança nos preços de referência da estatal.
Medidas do governo e direitos do consumidor
Para mitigar os efeitos, o governo anunciou ações como a zeragem das alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel (redução estimada em R$ 0,32 por litro), o aumento do imposto de exportação sobre o petróleo, uma medida provisória que cria subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores, e novas regras de fiscalização para garantir que os benefícios cheguem ao consumidor final.
Quanto aos direitos dos consumidores, Luiz Orsatti, diretor executivo do Procon-SP, ressaltou que a comunicação dos postos deve ser clara e não induzir a erro, por exemplo, anunciando um preço válido apenas para determinada forma de pagamento ou programa de fidelidade. Práticas desse tipo podem ser punidas. Orsatti explicou que um preço é considerado abusivo quando aumenta sem justificativa — não há percentual fixo — e que denúncias podem ser feitas à ANP e ao Procon, que verificam o preço exibido na bomba e o valor da nota fiscal.
Com informações de G1





