A BYD, montadora chinesa em ascensão, admitiu um erro administrativo que afetou 1.265 clientes na Austrália. A empresa entregou veículos fabricados em 2025 para consumidores que haviam adquirido modelos com ano de fabricação 2026. Após as críticas à compensação inicial proposta, a fabricante agora oferece o reembolso integral do valor pago aos clientes afetados.
De acordo com a BYD, a confusão foi causada por um erro de registro interno. A data em que os veículos deixaram a fábrica foi utilizada em vez da data real de produção. Esta informação incorreta, segundo a marca, se disseminou pelos sistemas de atendimento e pela documentação de venda, embora os registros oficiais do governo australiano apresentassem os dados corretos de fabricação.
Os modelos afetados incluem o SUV elétrico Atto 3, o Sealion e a picape Shark. A BYD assegura que não há diferenças mecânicas, de garantia ou de desempenho entre as unidades, todas em conformidade com a regulação australiana. No entanto, a preocupação dos proprietários gira em torno da desvalorização precoce do veículo, visto que um ano a menos na documentação pode impactar negativamente as ofertas no mercado de usados.
A primeira resposta da montadora, que previa uma indenização de 1.100 dólares australianos (cerca de R$ 3.920), foi considerada insuficiente diante da gravidade da situação. Sob pressão, a BYD revisou sua proposta: os clientes agora podem optar pelo reembolso total, trocar o carro por um modelo efetivamente fabricado em 2026, mantendo as condições promocionais da compra original, ou manter o veículo recebido e aceitar a indenização inicial.
Paul Ellis, diretor de relações públicas da BYD na Austrália, afirmou que se tratou de um erro administrativo, sem intenção de enganar os consumidores. Ele também negou que a revisão da proposta tenha sido motivada pela repercussão na imprensa, afirmando que as discussões sobre a compensação já estavam em andamento.
Recentemente, a BYD alcançou o segundo lugar em vendas na Austrália, atrás apenas da Toyota, superando marcas tradicionais como Ford, Kia, Mazda e Hyundai. A empresa declarou que revisou seus processos internos para evitar que situações semelhantes ocorram no futuro.
No Brasil, a BYD também enfrenta reclamações relacionadas à entrega de veículos. Clientes, especialmente do público PcD (Pessoas com Deficiência), relatam longos períodos de espera por carros já pagos. Um exemplo é o de Karyne de Freitas, que aguardou 130 dias pelo seu Song Pro GL, recebendo o veículo apenas após obter uma liminar na Justiça. Outro caso é o de Gustavo Kaufmann, que pagou R$ 160 mil à vista por um King GS, cuja entrega foi adiada sucessivamente.
A montadora alega que os atrasos estão ligados à demora da fábrica em reconhecer os pagamentos e vincular o chassi, um passo crucial para o faturamento nas concessionárias. A BYD afirma que trata os casos individualmente e nega falhas sistêmicas, sustentando que não havia um prazo contratual específico de entrega. As concessionárias, por sua vez, atribuem os atrasos à montadora.






