A montadora britânica encerra operações em Itatiaia e a chinesa Chery negocia a unidade. Trabalhadores vivem clima de incerteza enquanto os últimos veículos aguardam distribuição.
O clima na fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia, no Rio de Janeiro, é de incerteza. Os últimos modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque previstos para serem montados já foram concluídos e aguardam distribuição para as concessionárias, o que deve ocorrer até meados de julho. A empresa não está divulgando detalhes aos funcionários, mas as movimentações recentes indicam que a Chery Automobile está próxima de assumir a unidade.
A Jaguar Land Rover, em resposta a questionamentos, afirmou que a produção em Itatiaia segue normalmente durante o mês de junho, conforme o planejamento prévio da empresa. “Não temos informações adicionais para compartilhar neste momento”, acrescentou a fabricante. Contudo, a dúvida persiste sobre o futuro da operação a partir de julho.
De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real (Sindireal), a fábrica da JLR gera 371 empregos diretos. Embora a produção tenha diminuído consideravelmente nos últimos tempos, os funcionários estão realizando cursos de especialização. Entre janeiro e maio deste ano, apenas 264 unidades dos modelos Discovery Sport e Evoque foram emplacadas no Brasil.
“A JLR possui um acordo coletivo de trabalho vigente e tem cumprido com suas obrigações. Nossa preocupação é com os funcionários da JLR, e entendo que uma possível negociação precisaria de garantias para esses postos de trabalho”, afirma Bruno Mendonça Streva, diretor administrativo do Sindireal.
A Chery, por sua vez, está em negociações para incentivar a instalação de sua fábrica em Itatiaia. Na última sexta-feira, a Prefeitura local realizou uma reunião virtual com representantes da Chery, onde foram discutidas as condições de uma possível compra da unidade da Jaguar Land Rover. Embora a informação tenha sido publicada no site da Prefeitura, o texto foi posteriormente removido.
Durante a reunião, a Chery formalizou um pedido para adesão às políticas de incentivos fiscais, e a gestão municipal apresentou as condições legais e administrativas para a concessão dos benefícios. A montadora chinesa também está em tratativas com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, mas as discussões estão sendo dificultadas por questões tributárias e ajustes que ainda são necessários junto à Assembleia Legislativa do estado.
Com isso, a indefinição sobre o encerramento das operações da Jaguar Land Rover em Itatiaia persiste. Todos os veículos prontos devem ser retirados até 15 de julho.
A fábrica da JLR, que opera há uma década, nunca atingiu grandes volumes de produção e atualmente trabalha em regime SKD, onde as carrocerias chegam pintadas e montadas com a maioria das peças importadas. Esse modelo de operação não atende às necessidades da Chery, que planeja nacionalizar o Omoda 4, um SUV de entrada com motor 1.0 turboflex híbrido (HEV), visando competir no mercado com modelos como Volkswagen Tera, Fiat Pulse, Renault Kardian, Chevrolet Sonic e GAC GS3.
Para a nacionalização do Omoda 4, será necessário aumentar a capacidade produtiva. A Chery também considera montar outros modelos de suas linhas Omoda, Jaecoo, além de Lepas e Jetour na nova fábrica. A intenção é abastecer o mercado interno e exportar para países vizinhos.
A estratégia da Chery envolve aproveitar os incentivos da JLR com o objetivo de construir uma nova estrutura que permita a montagem de veículos em CKD, onde as peças são importadas, mas a maior parte da manufatura, como a armação da carroceria e pintura, ocorre localmente. O planejamento aponta para um salto na capacidade produtiva para cerca de 100.000 carros anuais a partir do segundo semestre de 2027.
Nos bastidores da indústria, circula a informação de que a JLR poderia até contratar a Chery para continuar montando seus veículos em Itatiaia, considerando que as duas empresas já mantêm um histórico de parcerias na China, onde a Chery fabrica os veículos da Land Rover.









