O SUV compacto obteve zero estrelas e 0% de proteção para adultos e crianças. Relatório aponta falhas estruturais e risco de incêndio mesmo com quatro airbags.
O Chery Tiggo 2, SUV compacto fabricado na China e comercializado em mercados como Argentina, Chile e México, recebeu zero estrela no primeiro teste do Latin NCAP realizado sob as regras mais rigorosas vigentes desde janeiro. O resultado apontou 0% de proteção para adultos e para crianças, segundo os critérios aplicados pelo programa de avaliação.
Montado no passado em Jacareí (SP) pela Caoa Chery — sob os nomes Tiggo 2 e, depois de reestilização, Tiggo 3X — até a interrupção da produção em 2022, o modelo apresentou falhas estruturais relevantes mesmo oferecendo quatro airbags e controle eletrônico de estabilidade (ESC) como itens de série. Na colisão frontal, a estrutura foi considerada instável: o tórax do motorista recebeu proteção classificada como ruim e a área dos pés sofreu deformação significativa.
O SUV também exibiu risco de incêndio após a batida, situação que o Latin NCAP avaliou como potencialmente ameaçadora tanto para ocupantes quanto para equipes de resgate. A ausência de airbags laterais de cabeça como equipamento de série resultou na não realização do teste de impacto contra poste, o que penalizou a pontuação final do veículo.
No banco traseiro, os cintos de segurança não contavam com pré-tensionadores nem limitadores de carga, e o Tiggo 2 não conseguiu demonstrar proteção adequada para uma mulher de baixa estatura representada por um novo boneco do protocolo. Entre os ocupantes infantis, o boneco correspondente a 10 anos apontou valores elevados na cabeça e no pescoço, enquanto o boneco de 3 anos mostrou risco de ejeção em impacto lateral. As ancoragens do tipo i-Size também não atenderam às exigências do teste.
Em critérios adicionais, o Tiggo 2 alcançou 45% na parcela de assistência à segurança e 49% na proteção a pedestres. O modelo não oferecia assistentes de condução fundamentais como frenagem autônoma de emergência (AEB) ou detector de ponto cego, nem mesmo como opcionais.
O novo protocolo do Latin NCAP, válido até 2029, endureceu os requisitos: passou a avaliar adultos no banco traseiro e crianças maiores, reforçou os testes de impacto lateral e atribuiu maior peso à frenagem autônoma capaz de detectar pedestres e ciclistas, além da função de chamada automática de emergência. O presidente do Latin NCAP, Stephan Brodziak, considerou o resultado inaceitável e uma afronta aos consumidores da região.






