O governo chinês publicou o plano de desenvolvimento da indústria de veículos de nova energia (NEVs) inteligentes e conectados para o período de 2026 a 2030, estabelecendo metas de participação de mercado, eficiência energética e novas regras para autorizar fabricantes. O documento, datado de 9 de setembro, foi divulgado na sexta-feira (11) pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) e assinado em conjunto por nove órgãos do governo, entre eles a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e o Ministério dos Transportes.
O plano fixa como objetivo que modelos NEV respondam por 70% das vendas domésticas de carros de passeio ao fim da década; para veículos comerciais, a meta é 40%. Na agenda tecnológica, a condução autônoma aparece como um eixo central: o governo quer automação de alto nível em rodovias, vias expressas urbanas e parte das vias municipais, com desempenho de segurança substancialmente superior ao de motoristas humanos. Estão previstas demonstrações envolvendo carros de passeio, ônibus, logística de longa distância e entrega urbana.
Entre os parâmetros técnicos, o plano estipula um consumo médio alvo de 11,5 kWh por 100 km para elétricos de passeio. Para a frota de passeio como um todo, o documento aponta um consumo médio equivalente a 3,3 litros por 100 km, o que corresponde a cerca de 30,3 km/l. Também constam metas industriais, como ganho de produtividade do trabalho de 15% ante 2025, e ambições de mercado: várias montadoras chinesas devem figurar entre as dez maiores do mundo em vendas, enquanto fornecedores locais são projetados entre os cem maiores globalmente.
O texto aborda ainda a contenção do excesso de capacidade industrial. O governo promete impor condições rígidas para autorizar novas fabricantes independentes de NEVs, controlar a capacidade instalada de baterias e estimular fusões e consolidações entre regiões. Há um recado específico aos governos locais para restringir o uso de subsídios, isenções fiscais e cessões de terra irregulares como instrumentos para atrair investimento.
No campo da cadeia de fornecimento e pesquisa, o plano aponta lacunas em semicondutores automotivos, sistemas operacionais, software industrial e materiais críticos. Também demanda avanços na segurança das baterias, velocidade de recarga e desempenho em baixas temperaturas. Prevê-se desenvolvimento de recarga de alta potência, expansão de redes em áreas rurais, integração veículo-rede e corredores rodoviários de frete com emissão zero de carbono para caminhões pesados elétricos.
O documento é apresentado como desdobramento setorial do 15º Plano Quinquenal, aprovado em 12 de março pela Assembleia Popular Nacional. Os planos quinquenais são o principal instrumento de planejamento estatal e servem de base para o crédito dos bancos estatais, políticas provinciais e decisões de investimento das montadoras. Na prática, essas metas costumam afetar o mercado financeiro e industrial: em julho, quando o MIIT anunciou que aceleraria a preparação do plano, ações de montadoras listadas em Hong Kong chegaram a reagir positivamente.





