Estudo revisado por pares descreve um carro de combate de ~60 t com pequeno reator e railgun de longo alcance. Publicado na Acta Armamentarii, prevê a versão nuclear só após 2045.
Pesquisadores militares chineses apresentaram o conceito de um carro de combate de aproximadamente 60 toneladas movido por um pequeno reator nuclear e equipado com um canhão eletromagnético (railgun) cuja capacidade projetada permitiria atingir, em tese, alvos a até 450 km. O estudo, revisado por pares, foi publicado em junho na revista científica Acta Armamentarii e prevê a entrada em serviço da versão nuclear apenas depois de 2045.
O trabalho é assinado pelo Inner Mongolia First Machinery Group, em parceria com o Instituto de Tecnologia de Pequim. O peso estimado — cerca de 60 t — o coloca na faixa de blindados como o americano Abrams e o alemão Leopard 2, ficando bem acima das cerca de 42 t do Leopard 1A5 BR, que é o principal carro de combate do Exército Brasileiro.
Segundo o estudo, o reator não teria a finalidade primária de estender autonomia logística: o objetivo técnico é fornecer energia para o canhão eletromagnético. O railgun acelera projéteis metálicos entre trilhos condutores por meio de campos magnéticos, sem o uso de propelente explosivo.
Primeira geração (até 2035)
- Propulsão e energia: gerador a diesel de ~1.500 cv combinado a supercapacitores e volantes de inércia;
- Canhão: capacidade de 10 megajoules (MJ);
- Alcance estimado: 150 km;
- Defesa ativa: blindagem eletromagnética de 2 MJ projetada para neutralizar mísseis anticarro.
Segunda geração (2035–2045)
- Aumento de energia: canhão de 20 MJ;
- Alcance estimado: cerca de 300 km;
- Blindagem ativa: 10 MJ;
- Componentes adicionais: baterias de estado sólido, supercondutores e uma microrrede inteligente de gestão de energia a bordo.
Terceira geração (após 2045)
- Fonte de energia: substituição do diesel por um reator modular compacto (SMR) de 10 MW, refrigerado a chumbo-bismuto;
- Canhão: capacidade projetada de 50 MJ;
- Velocidade do projétil: cerca de 3,5 km/s (≈ 12.600 km/h);
- Alcance estimado: até 450 km.
Os próprios autores do estudo reconhecem que o principal gargalo é elétrico, não nuclear: um canhão de 50 MJ exige a liberação de enorme quantidade de energia em frações de segundo, algo que um reator projetado para potência constante não consegue fornecer diretamente. A solução passaria pela acumulação de carga em capacitores e baterias entre disparos, o que transforma a eletrônica de potência e os sistemas de armazenamento no maior desafio técnico.
O trabalho também detalha exigências físicas severas para a adoção de um reator embarcado: volume máximo de cerca de 2 m³, blindagem radiológica limitada a no máximo 3 t e recarga de combustível prevista a cada cinco anos. Outros pontos críticos citados são a dissipação térmica e a necessidade de suportar impactos de até 30 g em operações fora de estrada.
Um especialista ouvido classificou como pouco realista a instalação de um reator de fissão em um blindado tripulado, citando as demandas de blindagem, refrigeração e o risco de perder o reator em combate; na visão dele, o conceito faria mais sentido em uma plataforma não tripulada.
Por ora, trata-se de um estudo conceitual, não de um programa em andamento. O alcance de 450 km permanece como estimativa de projeto, sem demonstração prática até o momento.





