No Salão de Paris, a releitura elétrica manteve detalhes históricos e brincadeiras como porta-ovos e mascotes. A marca promete produção na Europa e preço estimado em cerca de 15 mil euros.
O Citroën 2 CV voltou ao Salão de Paris 78 anos depois de estrear no mesmo evento. A marca apresentou o 2 CV Concept, uma releitura elétrica do clássico que preserva detalhes históricos e aposta em soluções bem-humoradas alinhadas ao DNA do modelo original.
Diferentemente de muitos carros-conceito exibidos no salão, o 2 CV vai virar carro de produção: segundo a Citroën, ele chega às lojas europeias até 2028, por cerca de R$ 84 mil (15 mil euros). A montadora também informou que o 2 CV de produção será fabricado na Europa e será posicionado entre o Ami, quadriciclo elétrico urbano, e o C3. A empresa não comentou planos para o Brasil.
O conceito mantém elementos estéticos e funcionais do projeto de origem. Com 3,76 m de comprimento, o novo 2 CV é mais curto que o original, meta que ajuda a manter o peso em torno de 1.000 kg, permitindo o uso de uma bateria menor. A Citroën não divulgou potência nem autonomia ainda.
O desenho preserva os faróis redondos destacados da carroceria, para-brisa vertical, limpadores aparentes e o teto solar de tecido que amplia a entrada de luz na cabine. As rodas de aço têm 18 polegadas e os pneus Michelin estampam o duplo chevron na banda de rodagem, referência à marca. A tampa traseira preta que desce até o para-choque remete à solução da primeira geração.
O interior reforça a narrativa do projeto original. Os nichos das portas foram dimensionados para levar ovos, homenagem direta à exigência histórica de atravessar um campo arado sem quebrar a cesta. No lugar do console, uma cesta removível feita em impressora 3D combina madeira e plástico de origem vegetal. A madeira reaparece ao redor do rádio, que é removível e funciona como caixa de som portátil.
Nos pedais, desenhos lúdicos indicam a função de cada um: a tartaruga no freio e o coelho no acelerador. A buzina e o som de partida reproduzem os timbres do 2 CV antigo. Não há painel tradicional: um cilindro central reúne o volante de um raio só, uma alavanca única de comandos e uma tela de 8″.
Historicamente, o 2 CV nasceu como um projeto para mobilizar a França rural do pós-guerra, idealizado nos anos 1930 como um “guarda-chuva sobre quatro rodas”: barato, robusto e capaz de transportar quatro pessoas e 50 kg de carga agrícola. O primeiro motor tinha dois cilindros refrigerados a ar e apenas 9 cv; ainda assim, mais de 3,8 milhões de unidades foram produzidas até 1990, quando o último 2 CV saiu da fábrica de Mangualde, em Portugal. No fim da linha, o 2 CV6 usava um motor 0.6 com 29 cv, atingia 115 km/h e já contava com freios a disco dianteiros.
Para Xavier Chardon, presidente da Citroën, o mundo mudou, mas a ideia de um carro simples, acessível e útil continua a mesma.








