O NPS recomenda que visitantes de Mineral King cubram carros com lona plástica, incluindo caixas de roda, para proteger contra marmotas atraídas pelo cheiro doce do fluido de arrefecimento. Isso pode imobilizar veículos.
O Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos (NPS) recomenda que visitantes da área Mineral King, no Parque Nacional de Sequoia e Kings Canyon, estacionem sobre uma lona plástica e envolvam o próprio carro com ela, cobrindo inclusive as caixas de roda. A medida visa proteger veículos das marmotas-de-barriga-amarela, roedores atraídos pelo cheiro adocicado do fluido de arrefecimento.
Segundo o NPS, da primavera ao meio do verão no Hemisfério Norte as marmotas da região roem mangueiras de radiador e fiação elétrica, comportamento capaz de imobilizar um veículo. O órgão orienta manter o uso reforçado da lona até meados de julho e recomenda lavar a carroceria, o assoalho e o compartimento do motor antes da visita. Na volta, o motorista deve inspecionar mangueiras, correias, fiação e o nível do fluido de arrefecimento antes de dar a partida.
A solução da lona plástica substituiu uma prática anterior: cercar o carro com tela de galinheiro. Conforme o NPS, as marmotas aprenderam a contornar esse material, motivo pelo qual a tela deixou de ser recomendada. O órgão pede o uso apenas de métodos não tóxicos e alerta que não se responsabiliza por danos nem garante que as orientações eliminarão todos os riscos.
O problema não é recente. Um relatório técnico do Serviço Geológico dos Estados Unidos abordou danos causados por marmotas a veículos em Mineral King em 1986. Em 2001, uma reportagem citou estimativas de 20 a 40 carros danificados por verão, atribuídos a cerca de 200 animais — números que, segundo o material original, não foram atualizados oficialmente. O NPS também relata casos em que marmotas permaneceram no cofre do motor e viajaram como caronas involuntárias até o sul da Califórnia.
Do ponto de vista químico, a atração pelo aditivo tem consequências letais. O etilenoglicol, base da maioria dos fluidos de arrefecimento, tem sabor adocicado e provoca insuficiência renal aguda e morte em pequenos mamíferos e humanos. O risco se estende a animais domésticos: cães são igualmente sensíveis ao odor, o que torna vazamentos em garagens e oficinas um perigo também em outras regiões, incluindo o Brasil.
Uma hipótese para a concentração de ocorrências na região foi levantada em publicação especializada, a partir de material jornalístico que destacou que a longa e íngreme subida até o parque submete o sistema de arrefecimento a esforço prolongado, aumentando a chance de vazamentos e da expulsão de excesso de fluido pelo tubo de transbordo. O NPS, entretanto, trata a lona como uma barreira física e não como método para conter o odor do aditivo.
Para proprietários e frotistas que planejam acesso a áreas de relevo acentuado, o incidente reforça medidas preventivas simples: verificar integridade de mangueiras e conexões, evitar sobreaquecimento mantendo o sistema de arrefecimento em dia, e preparar uma inspeção visual antes de ligar o veículo após estadias em locais com fauna ativa. A recomendação oficial é priorizar métodos não tóxicos e a inspeção cuidadosa antes e depois do passeio.





