Alta global nos combustíveis afeta carros, caminhões e voos; gasolina, diesel e querosene subiram 60%–97% desde o início do conflito. O FMI, por boca de Julie Kozak, culpa a queda da capacidade de refino.
A escalada dos preços dos combustíveis motivada pela guerra entre Estados Unidos e Irã é apresentada como um fenômeno global, com impacto direto no mercado automotivo, no transporte de cargas e na aviação. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), os preços da gasolina, do diesel e do querosene de aviação no mundo estão entre 60% e 97% acima dos níveis anteriores ao conflito, iniciado no fim de fevereiro.
Em declaração pública, a porta-voz do fundo, Julie Kozak, vinculou a alta à redução da capacidade de refino. Em entrevista coletiva na quinta-feira (1º), ela atribuiu a turbulência tanto às dificuldades no transporte de petróleo e gás natural pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo do mundo, quanto à perda de parte das refinarias do Golfo Pérsico.
Kozak afirmou ainda que refinarias de outras regiões já operam quase no limite, cenário que diminui a margem de resposta do conjunto da cadeia de abastecimento diante de choques externos. Questionada sobre uma eventual proibição das exportações de diesel pelos EUA, medida que o presidente Donald Trump disse avaliar, ela não respondeu diretamente.
“muito seriamente”
Do ponto de vista dos combustíveis líquidos, o efeito já aparece de forma contundente nos Estados Unidos: o galão do diesel chegou ao recorde de US$ 6,53 em 21 de setembro, segundo o centro de estudos American Action Forum, o que equivale a cerca de R$ 9 por litro. Esse patamar pressiona custos de transporte rodoviário e frete, com reflexos diretos em logística e preço final de produtos.
No Brasil, o efeito é mais moderado, mas não desprezível, sobretudo sobre o diesel. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o litro do diesel S10 custava em média R$ 7,35 na semana encerrada no sábado (3), cerca de 21% acima dos R$ 6,09 registrados antes da guerra. A gasolina apresentou aumento menor no mesmo período: de R$ 6,28 para R$ 6,55, alta de aproximadamente 4%.
As diferenças entre os mercados interno e externo refletem fatores estruturais: a política de preços praticada pela Petrobras, que não repassa integralmente as oscilações internacionais, a mistura obrigatória de etanol na gasolina e a dependência do país em importações de diesel. Essa combinação eleva a sensibilidade do preço interno do diesel às variações externas, com impacto sobre frotas comerciais, ônibus urbanos e o custo de operação de veículos pesados.
Para o setor automotivo e operadores logísticos, o cenário de refinarias operando próximo ao limite e interrupções no transporte marítimo significa menor previsibilidade de custo e necessidade de ajustes em planejamento de frotas, gestão de abastecimento e tarifas de transporte.





