Com preço promocional de R$115 mil, o Avenger mira o segmento de entrada. O motor T200 1.0 turbo teve potência rebaixada de 130 cv para 115,8 cv para se enquadrar no programa Mover.
Há poucos dias, a Jeep apresentou o Avenger, seu novo SUV compacto que irá concorrer no segmento de acesso dos utilitários. O jipinho chegou com preço promocional de R$ 115 mil e tem a missão de disputar vendas com modelos como Volkswagen Tera, Renault Kardian, Fiat Pulse e Citroën Basalt.
Um dos aspectos que despertou curiosidade no lançamento foi a redução da potência do motor T200 1.0 turbo. A unidade, que estreou em 2021 no Fiat Pulse entregando 130 cv e 20,4 kgfm de torque, apareceu no Avenger com 115,8 cv — queda de 14 cv que tem justificativa tributária.
A redução se fez necessária para enquadrar o modelo nas regras do programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), do governo federal, que passa a utilizar novos critérios tributários para os automóveis a partir de 2027. A carga tributária do automóvel começará a considerar fatores ligados à eficiência energética, tecnologia de propulsão, potência, segurança e reciclabilidade, em vez de se limitar apenas ao deslocamento do motor.
Cada requisito não cumprido amplia o valor recolhido e torna o carro menos competitivo. No critério de potência, veículos com até 85 kW — o equivalente a aproximadamente 115,6 cv — não recebem acréscimo na alíquota por esse item. Acima desse limite, até 105 kW, o IPI aumenta 0,75 ponto percentual. Como o Avenger é equipado com sistema de híbrido leve flex-fuel, ele também recebe desconto de 1 ponto percentual no cálculo do tributo.
A estratégia de reduzir a potência em software é relativamente simples: envolve alteração da calibração da central eletrônica sem necessidade de substituição de componentes. Modelos como o Chevrolet Sonic também passaram por ajuste similar de potência com objetivo de recolher menos tributo. A Renault, por outro lado, manteve os 125 cv do motor TCe 1.0 turbo que equipa o Kardian e adotou outras medidas — como redução de peso — para reduzir a carga tributária sem penalizar a potência.
O conjunto de mudanças abre uma discussão técnica sobre até que ponto regras fiscais direcionam escolhas de engenharia e posicionamento de produto. Historicamente, antes do Mover, vigorava uma política que favorecia automóveis populares com motores de até 1.000 cm³, consolidada em 1993 com redução do IPI para veículos populares e regras de nacionalização e preço.
O movimento de downsizing e a massificação do turbocompressor transformaram o desempenho dos 1.0: desde o up! TSI de 2015, com 105 cv e 16,8 kgfm, até versões mais potentes como o motor 200 TSI de 128 cv e 20,4 kgfm aplicado em Polo e Virtus, a indústria encontrou formas de entregar desempenho mantendo tratamento tributário mais favorável. Na época, executivos de marcas concorrentes esbravejavam que havia vendas de modelos com conteúdo de luxo recolhendo alíquota de popular, provocando resposta do mercado e alterações na oferta.










