Exportações brasileiras sofrem recuo no início do ano
No primeiro bimestre de 2026, as montadoras brasileiras enviaram ao exterior 59,4 mil unidades, queda de 28% na comparação com as 82,4 mil do mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O principal motivo do recuo foi a diminuição das vendas para a Argentina, que enfrenta grave crise econômica.
Desempenho do mercado argentino
Entre janeiro e fevereiro, os embarques de veículos brasileiros para a Argentina recuaram de 15,6 mil para 14,4 mil unidades, redução de 7,5%. Em 2025, o país vizinho foi responsável por mais da metade das exportações nacionais, com 302 mil dos 528 mil veículos vendidos ao exterior, aumento de 85% em relação a 2024.
“Causa preocupação a retração expressiva nas exportações para a Argentina, mercado que nos ajudou muito nos resultados positivos de 2025”, afirma Igor Calvet, presidente da Anfavea. Ainda na Argentina, os emplacamentos de automóveis em fevereiro caíram 37% frente a janeiro, refletindo incertezas sobre as reformas do governo de Javier Milei.
Outros mercados internacionais
O único destaque positivo partiu do México, que registrou crescimento de 318% nos embarques em fevereiro, passando de 2,2 mil para 9,1 mil veículos em relação a janeiro. O Chile também elevou suas importações de carros brasileiros em 34,1%, saltando de 1,6 mil para 2,2 mil unidades no mesmo intervalo.
Vendas internas e produção nacional
Em solo brasileiro, as vendas somaram 355,7 mil unidades no primeiro bimestre de 2026, leve recuo de 0,1% ante 2025. Automóveis e comerciais leves foram a principal base do mercado, com alta de 1,8% (de 334,1 mil para 340,1 mil unidades), enquanto caminhões e ônibus caíram 29,4%, de 22,1 mil para 15,6 mil.
A produção nacional somou 338 mil veículos, queda de 8,9% em relação aos dois primeiros meses de 2025. A média diária de vendas em fevereiro foi de 10,3 mil unidades, a segunda melhor dos últimos dez anos.
Crescimento dos eletrificados
Os veículos eletrificados venderam 28,1 mil unidades no bimestre, com 43% de produção local. “Esse já é um sinal dos investimentos em tecnologia e produção anunciados pelas fábricas nos últimos anos”, destaca Igor Calvet.
Impactos da alta da Selic e conflito no Oriente Médio
Segundo Calvet, os sucessivos aumentos da taxa Selic em 2025 pressionaram investimentos e consumo, especialmente de veículos pesados. Apesar da perspectiva de redução da Selic em 2026, a Anfavea estima que os efeitos só se tornarão perceptíveis no início de 2027.
A guerra no Oriente Médio também influencia o preço do barril de petróleo e a logística global. Até o momento, não há alerta de desabastecimento de componentes, mas as montadoras seguem monitorando possíveis impactos na produção brasileira.
Com informações de G1





