Testes entre 1960 e 1970 mostram a complexidade da manutenção de carros da época. O Fusca Pé de Boi, com motor boxer 1.200 cm³ e 36 cv, precisava trocar o óleo a cada 2.500 km.
Nos dias atuais, a manutenção de veículos modernos se tornou uma tarefa relativamente simples, exigindo apenas revisões periódicas para garantir o funcionamento adequado. Contudo, a realidade das décadas passadas era bem diferente. Testes realizados entre 1960 e 1970 revelam a complexidade e os desafios enfrentados pelos motoristas na manutenção de seus automóveis, mesmo que esses modelos fossem mais simples em comparação com os de hoje.
O Fusca Pé de Boi é um exemplo emblemático dessa época. Com um motor boxer de 1.200 cm³ e potência de 36 cv, exigia troca de óleo a cada 2.500 km sob condições normais, um intervalo que se tornava ainda menor em situações de uso severo. O óleo utilizado era sempre mineral, podendo ser SAE 20 ou SAE 20W.
Além disso, o câmbio demandava troca de lubrificante a cada 12.500 km, podendo receber óleo para engrenagens hipóides em casos de uso intenso. O filtro de ar, por sua vez, necessitava de limpeza a cada 1.250 km, assim como o chassi, que também precisava de atenção regular.
“Na época em que os carros tinham carroceria separada do chassi, era fundamental engraxar alguns pontos do chassi, como terminais da suspensão e molas,” explica um especialista em carros antigos.
O Toyota Bandeirante, um veículo robusto testado em 1964, também apresentava requisitos rigorosos de manutenção. Os proprietários eram aconselhados a reapertar a carroceria após os primeiros 1.000 km devido às vibrações do motor OM-324. Todos os fluidos, incluindo óleo de motor e transmissão, deveriam ser trocados após os primeiros 500 km para evitar problemas durante o amaciamento do motor, que durava 2.000 km.
Os veículos da época utilizavam óleos minerais monoviscosos, que não apenas apresentavam menor durabilidade, mas também se tornavam mais viscosos em temperaturas baixas, assemelhando-se a graxa. Aquecimento do motor antes de iniciar a condução era uma prática comum, essencial para garantir o bom funcionamento dos componentes internos.
Outro modelo, o DKW Belcar, introduzido em 1967, já era equipado com um sistema chamado Lubrimat, que misturava automaticamente óleo à gasolina. No entanto, muitos proprietários ainda optavam por adicionar óleo manualmente, devido à imprecisão do sistema.
Em comparação, o Simca Esplanada, lançado em 1966, apresentava um motor V8 2.5 de 140 cv, mas exigia a troca de óleo a cada 1.500 km. Já a Chevrolet C-1416, que mais tarde seria conhecida como Veraneio, tinha intervalos de troca de óleo de 6.000 km.
Naquele tempo, a manutenção não se limitava à troca de fluidos. O conhecimento básico de mecânica era uma expectativa entre os motoristas, que muitas vezes contavam com kits de ferramentas que acompanhavam os veículos. Essa realidade contrasta fortemente com os padrões modernos, onde as revisões frequentemente ocorrem a cada 10.000 a 20.000 km, com a garantia padrão de três anos, enquanto no passado, as garantias eram limitadas a alguns meses.



















