No início dos anos 2000 o EcoSport virou referência nacional, nascido da plataforma do Fiesta. A versão com motor compacto sobrealimentado prometia desempenho e economia, mas não emplacou junto aos consumidores.
No início dos anos 2000, a Ford acertou ao lançar o EcoSport, um veículo que se tornaria um marco no mercado automotivo brasileiro. Em 2003, a montadora americana apresentou o primeiro SUV compacto produzido no Brasil, atendendo às necessidades específicas dos consumidores locais. Enquanto outras fabricantes apostavam em monovolumes, a Ford optou por um modelo menor e mais acessível, baseado na plataforma do Fiesta, o que agilizou seu desenvolvimento e produção.
Naquela época, o EcoSport destacou-se em um cenário dominado por modelos como Mercedes-Benz Classe A, Renault Scénic, e Chevrolet Meriva. Com um visual aventureiro e uma posição de dirigir elevada, o EcoSport rapidamente conquistou o mercado, superando as vendas dos concorrentes monovolumes.
O EcoSport foi lançado com três opções de motorização: 1.0 Supercharger Zetec Rocam de 95 cv, 1.6 Zetec Rocam de 98 cv e 2.0 Duratec de até 143 cv. A estratégia da Ford foi clara ao oferecer a versão 1.0, que se beneficiava de alíquotas reduzidas de IPI e ICMS, permitindo um preço mais competitivo ao consumidor. A expectativa era que o EcoSport 1.0 se tornasse um sucesso de vendas, aproveitando o crescimento do segmento de SUVs e os incentivos fiscais para motores de menor cilindrada.
Entretanto, a realidade mostrou-se diferente. Embora o consumidor brasileiro estivesse se apaixonando pelos SUVs, muitos não estavam dispostos a aceitar um motor 1.0 em um utilitário esportivo. Na época, motores dessa cilindrada eram associados a carros de entrada, voltados para quem buscava economia e baixo custo de aquisição. Mesmo com o compressor mecânico que aumentava potência e torque, o Zetec Rocam não conseguia mudar a percepção negativa em relação aos motores menores.
A diferença de preço entre as versões também não era tão significativa. O EcoSport 1.0 Supercharger custava cerca de R$ 31 mil, enquanto a versão 1.6 era vendida por aproximadamente R$ 35 mil. Os consumidores preferiam o motor 1.6, que oferecia desempenho superior e respostas mais rápidas ao acelerador.
Com o passar do tempo, as vendas do EcoSport 1.0 Supercharger foram decepcionantes, e a versão foi retirada de produção em 2006, apenas três anos após seu lançamento. O modelo não conseguiu conquistar a confiança dos consumidores e, para agravar sua situação, o sistema Supercharger demandava cuidados específicos de manutenção, que muitos proprietários e oficinas desconheciam. Isso resultou em desgaste prematuro, aumento de ruídos e perda de desempenho.
Assim, o EcoSport se consolidou como um dos maiores sucessos da Ford no Brasil, enquanto a versão 1.0 Supercharger se tornou uma experiência que não encontrou sintonia com o perfil do consumidor brasileiro da época, encerrando sua trajetória de forma discreta e sem sucessores.







