Montadoras instaladas no Brasil voltaram a acionar o alerta para possíveis interrupções nas linhas de montagem nas próximas semanas, em razão de uma nova escassez de chips provocada por tensões entre China e Holanda.
A preocupação ganhou força após o governo holandês assumir o controle da Nexperia, empresa de capital chinês, alegando risco à propriedade intelectual. Em resposta, Pequim passou a limitar a exportação de semicondutores, componentes essenciais para a indústria automotiva mundial.
Anfavea vê risco semelhante ao período da pandemia
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou que monitora o cenário e teme paralisações parecidas com as ocorridas durante a Covid-19, quando fábricas fecharam, houve suspensão de contratos e demissões. Segundo a entidade, um veículo moderno utiliza de 1 mil a 3 mil chips, e a falta desses itens pode paralisar linhas de produção em questão de semanas.
A Anfavea solicitou apoio do governo federal para evitar desabastecimento. O setor automotivo emprega mais de 1,3 milhão de pessoas no país.
Governo acompanha cadeia de suprimentos
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmou que acompanha os possíveis reflexos na cadeia global de semicondutores e mantém diálogo com a indústria para buscar soluções que protejam empresas e empregos.
Repercussão entre as montadoras
- Volkswagen já prevê paradas em suas unidades na Alemanha.
- Renault instalou unidade de monitoramento e diz manter contato diário com fornecedores; até o momento, impactados limitados.
- Hyundai declarou não haver risco imediato de interrupção em Piracicaba (SP), mas segue atenta ao cenário internacional.
- Volvo iniciou mapeamento de fornecedores para avaliar efeitos nas fábricas de Curitiba, Pederneiras e São José dos Pinhais.
- BYD informou que, devido à integração vertical de sua produção na Bahia, não prevê falta de semicondutores.
- Nissan (Resende) e Caoa (Anápolis) preferiram não comentar.
BMW, Stellantis, Honda, Great Wall Motors, HPE (Mitsubishi e Suzuki), Jaguar Land Rover, Toyota e General Motors foram procuradas, mas ainda não se posicionaram.
Risco de demissões
O economista Luiz Carlos Laureano da Rosa, professor com doutorado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), avalia que a dependência brasileira da cadeia global torna o país vulnerável a paradas e possíveis cortes de pessoal. Ele lembra que fornecedores satélites também podem ser impactados, ampliando os efeitos sobre o PIB.
Para o especialista, ampliar a produção nacional ou diversificar fornecedores de chips ajudaria a reduzir a exposição do setor a crises externas.
Com informações de g1





