O fenômeno do aumento contínuo do tamanho dos veículos, conhecido como carspreading, tem levado governos europeus a avaliar medidas inovadoras para conter essa tendência crescente. Um estudo elaborado pelas organizações Transport & Environment (T&E) e Clean Cities sugere que veículos maiores enfrentem impostos mais altos e tarifas de estacionamento elevadas, como forma de mitigar os impactos urbanos, energéticos e na segurança viária.
Desde o ano 2000, os dados indicam que os carros vendidos na Europa se tornaram, em média, 1,2 cm mais longos e 0,5 cm mais altos a cada ano. Pesquisas anteriores da T&E demonstram que a largura e a altura dos capôs aumentaram cerca de 0,5 cm anualmente, reflexo da crescente popularidade dos SUVs e crossovers, mesmo em um contexto de famílias cada vez menores.
O estudo apresenta duas projeções para o ano de 2040. A primeira mantém a trajetória atual, onde veículos de grande porte dominam o mercado. A segunda prevê a implementação de políticas públicas que incentivem um retorno gradual às dimensões médias registradas entre 2010 e 2015.
Se a tendência vigente continuar, estima-se que as cidades europeias possam perder entre 8,5% e 14% das vagas de estacionamento nas ruas até 2040. Apenas em Londres e Berlim, cerca de 100.000 vagas cada uma podem ser eliminadas, colocando ainda mais pressão sobre áreas urbanas já densamente povoadas.
A segurança viária é uma preocupação primordial. Segundo os autores do relatório, o aumento da altura dos capôs está ligado a um aumento na severidade dos atropelamentos de pedestres e ciclistas. O estudo estima que a manutenção desse padrão poderia resultar em aproximadamente 2.570 mortes adicionais de usuários vulneráveis nas vias até 2040, com parte das projeções envolvendo crianças fundamentadas em estudos realizados nos Estados Unidos.
Além disso, veículos de maior porte geralmente são mais pesados e demandam mais energia para se locomover, independentemente de serem elétricos ou movidos a combustão. A T&E projeta que, se a situação atual persistir, a frota europeia de veículos elétricos precisará de 22,5 TWh adicionais de eletricidade por ano até 2040, um volume correspondente à produção anual de 1.500 turbinas eólicas terrestres. Para os modelos a combustão, a previsão é de um consumo adicional de mais de 100 milhões de barris de petróleo importado no mesmo período.
Para reverter esse quadro, o relatório sugere a adoção de medidas regulatórias rigorosas, incluindo um limite de 85 cm para a altura do capô e uma largura máxima de 1,92 m. O estudo também defende a implementação de impostos e tarifas de estacionamento proporcionais às dimensões dos veículos, além de incentivos para carros elétricos com menos de 4,2 m de comprimento. Contudo, a aceitação dessas medidas ainda é incerta. Nos últimos 20 anos, os consumidores demonstraram uma preferência crescente por SUVs e crossovers, que oferecem margens de lucro mais elevadas para os fabricantes. A contenção do crescimento dos automóveis dependerá da disposição do público e do interesse das montadoras em retomar investimentos em hatches e sedãs.








