A transferência de Fernando Badia, que liderou as operações de Vendas e Marketing da Volkswagen na América Latina, para o comando global da divisão de veículos comerciais leves marca o encerramento de um ciclo significativo na história da marca na região. Após sete anos intensos à frente das operações, Badia deixa um legado de renovação de portfólio, reorganização comercial e fortalecimento da presença da Volkswagen em vários mercados latinos.
A mudança ocorre em um momento estratégico, com a Volkswagen expandindo sua participação na América Latina através de novos produtos e investimentos. O Brasil, em particular, tem sido fundamental nesse processo, destacando-se tanto pela capacidade produtiva quanto pelo desenvolvimento de engenharia local.
“A América Latina ainda enfrenta desafios estruturais para se consolidar como um mercado mais integrado”, afirmou Badia em entrevista antes de sua partida para a Alemanha.
Ele ressaltou que as diferenças regulatórias e tributárias entre os países dificultam a circulação de veículos produzidos na região, enfatizando que o Brasil, apesar de ser uma potência industrial, ainda possui espaço para aumentar sua competitividade regional.
Um dos principais marcos da gestão de Badia foi a aposentadoria do icônico Volkswagen Gol, que durante décadas representou a marca no continente. O encerramento da produção desse modelo exigiu uma reformulação da estratégia comercial da Volkswagen, o que Badia descreveu como “uma reconstrução da identidade da Volkswagen”.
“Substituí-lo exigiu quase dois anos de trabalho”, explicou Badia, referindo-se ao desafio de criar um novo modelo que atendesse às expectativas dos consumidores.
A saída do Gol coincidiu com a expansão da linha de SUVs da marca e a introdução de novos produtos voltados ao consumidor latino-americano, permitindo à Volkswagen reposicionar sua oferta em segmentos com maior valor agregado, ao mesmo tempo que mantinha sua presença em mercados de volume.
Com a chegada da picape Tukan, desenvolvida inteiramente no Brasil, a Volkswagen busca consolidar sua presença na América Latina. A Tukan foi projetada para preencher a lacuna entre a Saveiro e a Amarok, com foco em atender mercados onde veículos de trabalho e uso misto são essenciais.
“É um carro inventado e desenvolvido no Brasil para atender toda a América Latina”, afirmou Badia, destacando a importância do projeto.
Ele acredita que a Tukan será fundamental para o crescimento da marca nos próximos anos, especialmente em mercados agrícolas e urbanos, onde a concorrência de fabricantes asiáticos ainda é limitada.
A partir de julho, Badia assume a liderança global da divisão de veículos comerciais leves da Volkswagen, enfrentando um cenário de transformação acelerada nesse segmento. O aumento do comércio eletrônico e as novas demandas de sustentabilidade e eficiência na logística exigem soluções inovadoras.
“Não estamos vendendo emoção. Estamos vendendo uma ferramenta de trabalho”, resumiu Badia sobre o foco do setor.
Com a pressão crescente por eficiência e regulamentações ambientais, a nova liderança de Badia terá que lidar com as exigências regulatórias e a eletrificação dos veículos, enquanto aplica sua experiência adquirida na América Latina em uma escala global.








