A Ford Motor Company enfrenta sérios desafios em sua estratégia de incorporar inteligência artificial (IA) nas linhas de produção. Após anos de investimento nesta tecnologia, a montadora acumulou problemas de qualidade que resultaram em prejuízos significativos, conforme relatado por fontes internas. Para contornar essa situação, a empresa decidiu resgatar 350 engenheiros e técnicos veteranos, sendo parte deles ex-funcionários e outros vindos de fornecedores.
Essa decisão reflete uma conclusão interna de que a tecnologia por si só não é capaz de substituir o conhecimento prático adquirido ao longo de décadas de experiência na linha de produção. Charles Poon, vice-presidente de engenharia de hardware de veículos da Ford, destacou em uma coletiva que, embora a inteligência artificial seja uma ferramenta poderosa, sua eficácia está diretamente relacionada à qualidade das informações com as quais é alimentada. Ele comentou:
“A inteligência artificial é uma ferramenta fantástica, mas sua eficácia depende da informação com a qual é treinada”
.
De acordo com Poon, os sistemas automatizados falharam em incorporar o conhecimento dos profissionais mais experientes, que possuem a capacidade de identificar problemas antes mesmo que uma peça chegue à fábrica. “Achávamos, de forma equivocada, que bastava introduzir a IA e inserir nossos requisitos de projeto para obter um produto de alta qualidade”, afirmou o executivo, reconhecendo a falha na abordagem.
Kumar Galhotra, COO da Ford, também reconheceu que a empresa tornou-se excessivamente dependente de sistemas automatizados para garantia de qualidade, o que resultou em desempenhos abaixo do esperado. Em resposta, a Ford começou a realizar reuniões obrigatórias onde os veteranos analisam os problemas enfrentados e ajudam a reprogramar as ferramentas de IA, visando antecipar falhas.
No recente estudo de qualidade da J.D. Power, divulgado em junho de 2026, a Ford alcançou uma posição de destaque ao se tornar a marca mais bem avaliada entre as fabricantes generalistas pela primeira vez desde 2010. Com 152 problemas a cada 100 veículos, a montadora ficou em terceiro lugar na classificação geral, atrás apenas das marcas premium Porsche e Genesis, e registrou o maior avanço anual no setor. Modelos icônicos como F-150, Mustang e Super Duty continuam a liderar seus segmentos, e sete dos dez modelos avaliados terminaram entre os três primeiros de suas categorias.
Este resultado positivo coroa um esforço contínuo da Ford em busca de melhorias de qualidade ao longo dos anos, levando a uma reorganização em suas áreas de engenharia, manufatura e gestão da cadeia de fornecedores. O retorno da mão de obra veterana para reprogramar as máquinas contrasta com a narrativa atual da indústria, que teme que a IA possa extinguir milhões de empregos.





