Em 1987, a Gurgel Automóveis desfrutava de um momento promissor, impulsionada pelo sucesso do X-12, um veículo robusto com carroceria de fibra de vidro e mecânica herdada de modelos Volkswagen. A combinação de suspensão, freios, direção, motor e câmbio resultava em um jipinho de manutenção simples, ideal para enfrentar terrenos desafiadores.
Diante desse cenário, a Gurgel decidiu dar um passo ousado, projetando um carro urbano que atendesse as necessidades dos motoristas nas grandes cidades. O objetivo era criar um modelo compacto, econômico, ágil e acessível, que fosse ideal tanto para pequenas famílias quanto para o uso profissional diário.
O BR-800 nasceu dessa proposta, utilizando componentes mecânicos já disponíveis no mercado, o que visava reduzir custos e acelerar o desenvolvimento. Seu design diminuto prometia ser uma solução prática para o ambiente urbano, mas o desempenho do veículo se revelou insatisfatório até mesmo para o tráfego das cidades.
O motor do BR-800 foi desenvolvido a partir da base do Volkswagen 1600 refrigerado a ar, mas com um novo bloco que contava com apenas dois cilindros, reduzindo a capacidade volumétrica para 800 cm³. A Gurgel implementou um sistema de refrigeração líquida, diferenciando-se assim do motor alemão, que utilizava ar para esse fim.
O motor foi montado longitudinalmente na frente do veículo e acoplado a um câmbio do Chevette, utilizando também componentes de eixo traseiro desse modelo. Essa estratégia visava simplificar o projeto e reduzir os custos de desenvolvimento, permitindo uma produção mais ágil.
A Gurgel promoveu a ideia de que todos os componentes já haviam sido testados por outras fabricantes, eliminando a necessidade de novos investimentos em validação.
Em 1987, a Gurgel já estava se preparando para a produção do BR-800, vendendo ações para financiar o projeto e prometendo prioridade na compra para os acionistas. O entusiasmo gerado pelo novo modelo, que inicialmente seria chamado de CENA (Carro Econômico Nacional), foi abruptamente interrompido após a intervenção de Ayrton Senna, que alegou associação indevida de sua imagem ao produto.
Com a mudança de nome para BR-800, que refletia tanto a nacionalidade quanto a capacidade do motor, o modelo foi finalmente apresentado ao mercado. No entanto, ao chegar às concessionárias, as expectativas foram frustradas. Custando entre US$ 5 mil e US$ 7 mil, o BR-800 era mais barato que concorrentes como Gol e Uno, mas oferecia espaço interno limitado e um acabamento espartano.
O desempenho do BR-800 também deixou a desejar, com uma velocidade máxima de apenas 110 km/h e uma aceleração de 0 a 100 km/h que levava entre 40 e 45 segundos. Esses fatores contribuíram para que o modelo rapidamente perdesse a atratividade, resultando em apenas 7.100 unidades produzidas entre 1988 e 1991. Em 1992, o BR-800 foi sucedido pelo Supermini, uma versão evoluída que continuou em produção até a falência da Gurgel em 1995.







