Honda prevê prejuízo anual e diz que demanda por elétricos caiu
A Honda anunciou nesta quinta-feira (14) que deve registrar prejuízo no ano fiscal encerrado em março, em um cenário marcado por perdas contábeis elevadas relacionadas ao negócio de veículos elétricos. A montadora japonesa informou que a revisão de sua estratégia de EVs deverá gerar impactos de até US$ 15,7 bilhões (R$ 77,1 bilhões) e estimou um prejuízo anual de até US$ 3,6 bilhões (R$ 17,6 bilhões).
O presidente-executivo da Honda, Toshihiro Mibe, afirmou em Tóquio que a demanda por carros elétricos caiu de forma acentuada, o que tornou “muito difícil” manter a lucratividade do negócio. A empresa disse ter cancelado planos de produzir três modelos elétricos nos Estados Unidos, decisão que pesou nas baixas contábeis anunciadas.
Analistas observaram surpresa com o tamanho da baixa e com o cancelamento do plano de produção nos EUA. Julie Boote, analista da Pelham Smithers Associates, ressaltou que a Honda tinha um programa ambicioso de expansão em veículos elétricos, fortemente afetado pelas mudanças no ambiente de mercado. O texto da empresa relacionou também a mudança na política americana — sob a administração do presidente Donald Trump, que encerrou subsídios a elétricos — como fator que levou montadoras a reverem suas estratégias.
A Honda informou ainda que está reduzindo o valor de seus ativos na China, onde enfrenta forte concorrência de fabricantes locais como a BYD. Para enfrentar pressão dos rivais chineses, a montadora disse que focará na Índia, mercado onde empresas chinesas têm presença limitada, e pretende fortalecer sua linha de modelos e a competitividade de custos naquele país.
Em resposta ao resultado e ao cenário financeiro, o CEO Toshihiro Mibe e o vice-presidente executivo Noriya Kaihara renunciarão voluntariamente a 30% de suas remunerações por três meses. Outros executivos abrirão mão de 20% de seus salários, segundo a companhia. A Honda planeja divulgar uma nova estratégia de negócios de médio a longo prazo no próximo ano fiscal.
O impacto da revisão da Honda eleva para cerca de US$ 67 bilhões o total de baixas contábeis já anunciadas por montadoras globais nos últimos meses em relação a veículos elétricos. Entre as outras empresas que registraram encargos estão a General Motors, com US$ 7,6 bilhões, a Stellantis, com US$ 25 bilhões, e a Ford, com US$ 19 bilhões.
A companhia não divulgou outros detalhes além dos previstos impactos financeiros, das medidas de redução de remuneração dos executivos e do compromisso de apresentar um novo plano estratégico no próximo exercício.
Com informações de G1





