A Honda e o grupo estatal GAC renovaram o contrato da GAC Honda Automobile, presente na China desde 1998. O acordo amplia a vigência por uma década e mantém a divisão acionária em 50% para cada lado.
A Honda e o grupo estatal chinês GAC assinaram a renovação do contrato da GAC Honda Automobile, a joint venture que a montadora japonesa mantém na China desde 1998. O acordo, anunciado pela Honda China em 20 de julho, estende a vigência da parceria até 2038 e mantém inalterada a divisão de 50% para cada lado.
O contrato original, que tinha 30 anos de validade, expiraria em 2028. A renovação, firmada no início de julho, acrescenta dez anos a esse limite — ou doze, se a contagem partir da assinatura. Essa diferença é relevante, especialmente considerando que, até poucas semanas atrás, o mercado especulava sobre a possível saída da Honda da China.
A preocupação com a continuidade da marca no país tinha fundamento, uma vez que, no primeiro semestre de 2026, a GAC Honda entregou 68.318 veículos, representando uma queda de 55,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Somente em junho, foram vendidas 14.099 unidades, um recuo de 53%, enquanto a produção caiu mais de 83%, para 5.201 carros. Analistas do setor na China indicaram que as negociações estavam travadas, pois a GAC buscava um maior controle sobre o negócio.
Esse cenário não é exclusivo da Honda. As marcas que surgiram de joint ventures entre montadoras estrangeiras e grupos chineses estão perdendo espaço rapidamente, devido à guerra de preços e ao avanço das fabricantes locais em elétricos e híbridos. Dados da associação de fabricantes CPCA indicam que as vendas no varejo dessas marcas caíram 34% em junho, na comparação anual. Outro contrato relevante que está em negociação é o da SAIC-GM, que também completa 30 anos e expirará em junho de 2027.
O modelo anterior de parceria baseava-se na transferência de tecnologia do Japão para a China; o novo acordo prevê atuação conjunta em definição de produto, pesquisa e desenvolvimento, e cadeia de fornecimento. Essa mudança é vista como uma evolução para o que a imprensa chinesa já chamou de era das “joint ventures 2.0”.
Para 2027, a GAC Honda prevê três lançamentos: uma nova geração do Accord, um modelo equipado com a quinta geração do sistema híbrido i-MMD da Honda, e um carro desenvolvido internamente sobre uma plataforma de veículos eletrificados voltada para o consumidor chinês.
A GAC Honda, criada em julho de 1998 sob o nome de Guangzhou Honda, foi a primeira joint venture de produção e venda de automóveis da Honda na China. A fábrica de Guangzhou, localizada na província de Guangdong, iniciou suas operações em março de 1999 e já entregou mais de 11 milhões de veículos. Atualmente, a linha de produção engloba sedãs, SUVs, minivans e veículos elétricos. Na estrutura societária, a GAC detém 50%, a Honda Motor possui 40% e o braço chinês de investimentos da Honda responde pelos 10% restantes.
Para o mercado brasileiro, a GAC é um nome conhecido, tendo iniciado operações comerciais no Brasil em 2026, oferecendo os elétricos Aion UT e Aion V, além do SUV GS3, com planos de iniciar a produção local em 2027.






