A Kia do Brasil está diante de uma possibilidade significativa de expansão com a construção de uma nova fábrica no país. Esta informação foi revelada por José Luiz Gandini, atual responsável pela marca no Brasil, durante uma entrevista. Ele esclareceu que a matriz da Kia, localizada na Coreia do Sul, está em negociações com o governo federal para o perdão de dívidas bilionárias acumuladas desde o final do século XX, relacionadas à antiga fábrica da Asia Motors.
Gandini destacou que, caso esse perdão seja concedido, ele entregará o comando da operação aos sul-coreanos, passando a atuar apenas como concessionário. “É uma negociação que não tem prazo, não tem previsão. Enquanto isso não acontece, tudo se mantém como está e eu sigo no comando da importação”, afirmou Gandini.
Os planos atuais da Kia incluem a construção de sua fábrica ao lado da planta da Hyundai, localizada em Piracicaba, SP. Apesar de ambas as marcas pertencerem ao mesmo grupo, elas operam de forma independente no Brasil devido a questões legais. A Hyundai, por exemplo, é controlada diretamente pela matriz e desenvolve produtos específicos para o mercado local, enquanto a Kia se limita a importar modelos do exterior, focando em um portfólio de maior valor e operação de menor escala sob a direção do Grupo Gandini desde 1992.
Esse modelo de operação tem resultado em vendas limitadas para a Kia, que em 2025, registrou emplacamentos que corresponderam a aproximadamente 75% do volume da Hyundai globalmente. No Brasil, a Kia conseguiu vender apenas 3% do volume de vendas de sua irmã maior. Com a estratégia atual, a Kia prioriza carros de alto tíquete, como a Carnival, mas há uma tendência de investimento em modelos mais acessíveis e em maior volume.
Atualmente, a unificação das operações de Kia e Hyundai é considerada uma estratégia natural para expandir a presença da Kia nas ruas brasileiras. No entanto, essa expansão depende da construção de uma nova fábrica, conforme confirmou Gandini. “A gente ouviu falar que essa fábrica da Kia seria do lado da fábrica da Hyundai, [em Piracicaba],” comentou.
O histórico da Asia Motors, que nos anos 1990 recebeu redução de impostos de importação em troca da construção de uma fábrica na Bahia, também influencia essa situação. A empresa não cumpriu a contrapartida, levando o governo a cobrar os tributos não pagos, resultando em uma dívida que, com juros e multas, alcançou cerca de R$ 6 bilhões até 2023. A Asia Motors, que foi parte do grupo Kia, nunca conseguiu completar a construção da fábrica prometida, e agora a Fazenda Nacional tenta redirecionar a cobrança para a Kia, o que cria um cenário de incerteza para a abertura de uma nova subsidiária no Brasil.
Assim, a continuidade das operações da Kia no Brasil permanece sob a gestão do Grupo Gandini, enquanto a resolução do passivo da Asia Motors é vista como uma condição fundamental para que a matriz coreana assuma o controle e inicie a construção da nova fábrica.








