SUV chinês chega ao Brasil prometendo viabilidade sem instalação residencial. Testamos o Leapmotor B10 para descobrir se a promessa se sustenta no dia a dia.
A popularização dos carros elétricos ainda enfrenta um desafio comum entre os consumidores brasileiros: é viável utilizar um veículo elétrico sem a instalação de um carregador residencial? Para responder a essa pergunta, testamos o Leapmotor B10, o novo SUV elétrico da fabricante chinesa sob o controle do grupo Stellantis.
Com um preço sugerido de R$ 182.990, o Leapmotor B10 se posiciona em uma faixa intermediária do mercado. Com um custo semelhante ao das versões de entrada de SUVs médios a combustão, como o Jeep Compass, o B10 aposta em um pacote tecnológico avançado e em custos de uso que podem ser menores.
“O B10 não pretende competir com os elétricos mais acessíveis, mas oferece espaço e tecnologia em um patamar similar aos SUVs médios a combustão”, afirma o especialista responsável pela avaliação.
O B10 apresenta 4,51 metros de comprimento e uma distância entre eixos de 2,73 metros, que o posiciona próximo dos utilitários esportivos médios mais populares no Brasil. Essa proposta visa atender aos consumidores que querem migrar para a eletrificação sem renunciar ao espaço interno, evitando os elétricos compactos que dominam as opções mais baratas do segmento.
A bateria de 56 kWh proporciona uma autonomia homologada pelo Inmetro de 290 quilômetros. Contudo, o alcance real pode variar de acordo com o estilo de condução, as condições do relevo, a temperatura ambiente e a carga transportada. Para usuários que percorrem entre 20 e 30 quilômetros diariamente, a autonomia permite até uma semana de uso sem recargas.
Durante a avaliação, o B10 foi utilizado sem um carregador residencial. As recargas foram realizadas em eletropostos públicos, revelando que em um dos carregamentos realizados em Belo Horizonte, foram gastos cerca de R$ 30 para recuperar aproximadamente 100 quilômetros de autonomia. Em comparação, considerando o preço médio da gasolina, esse valor permitiria abastecer cerca de 4,5 litros de combustível, o que possibilitaria percorrer cerca de 45 quilômetros com um SUV médio a combustão.
Esse resultado indica que o custo energético do B10 é praticamente metade do equivalente em gasolina, explicando o crescente interesse dos consumidores pela eletrificação, mesmo sem infraestrutura de recarga domiciliar. Além da economia, os proprietários evitam despesas com instalação elétrica e adaptações em garagens.
O porta-malas do B10 oferece 360 litros de capacidade, volume que, embora não impressionante, é justificado pelo motor elétrico posicionado sob o assoalho. O modelo também inclui um carregador portátil para tomadas de 220 volts, que pode ser uma alternativa para quem precisa recuperar parte da carga durante a noite.
O conforto e a tecnologia são pontos fortes do B10, que conta com um bom isolamento acústico e acabamento superior aos modelos nacionais na mesma faixa de preço. A suspensão foi calibrada para as condições brasileiras, absorvendo bem as irregularidades do solo. Contudo, alguns comandos estão concentrados na tela central da multimídia, o que pode exigir mais atenção do motorista.
Em resumo, o Leapmotor B10 oferece uma experiência de uso de um carro elétrico que pode ser mais simples do que muitos imaginam para quem reside em grandes centros urbanos e tem acesso a uma rede pública de recarga. Embora não seja o carro ideal para longas viagens, ele se mostra prático para o uso cotidiano e pode proporcionar uma significativa redução nos gastos com combustível e manutenção.








