No leilão de 5 de agosto, a licença para rodar por dez anos foi arrematada por S$123.890 (≈ R$499.014). Esse valor é apenas o COE; impostos e taxas fazem o preço final dos carros subir muito.
Singapura se destaca como o local mais caro do mundo para a aquisição de automóveis, elevando o conceito de ‘caro’ a um nível sem precedentes. A nação insular, com sua política rigorosa de controle de veículos, impõe preços astronômicos para a compra de automóveis. No último leilão de autorizações, encerrado em 5 de agosto, a licença que permite rodar com um carro por dez anos foi arrematada por S$ 123.890, o equivalente a cerca de R$ 499.014.
Esse valor exorbitante diz respeito apenas ao Certificate of Entitlement (COE), que é a autorização necessária para registrar um veículo em Singapura, sem incluir o custo do carro em si. Esta licença é um componente essencial no sistema de cotas que a cidade-Estado utiliza para controlar a frota de veículos. Com apenas 12% de seu território dedicado a vias, o governo adota uma política de crescimento zero para automóveis particulares, permitindo que um novo carro entre em circulação apenas quando outro é retirado.
As cotas são leiloadas pela Land Transport Authority (LTA) duas vezes por mês, e existem cinco categorias com preços distintos. A categoria A, que abrange carros a combustão com motores de até 1.600 cm³ e 132 cv, além de veículos elétricos com até 150 cv, foi a mais disputada, fechando a S$ 123.890. Já a categoria B, que inclui motores maiores, atingiu S$ 129.910. Categoria C, destinada a veículos de carga e ônibus, custou S$ 91.545, enquanto a D, obrigatória para motocicletas, foi arrematada por S$ 10.503. A categoria E, que abrange todos os veículos exceto motos, teve um valor de S$ 131.000.
É importante destacar que o valor do COE apresentado em agosto representa uma leve redução em relação ao recorde histórico de S$ 129.000 alcançado em julho. Além do custo do COE, os compradores enfrentam uma série de taxas adicionais. Um Honda Civic, por exemplo, é anunciado por S$ 211.899, aproximadamente US$ 165,6 mil, enquanto nos Estados Unidos o mesmo modelo custa cerca de US$ 25.890, já incluindo taxas de entrega.
O preço do Civic em Singapura supera a renda familiar mediana anual do país, que é de S$ 149.352 (US$ 116,7 mil). No extremo oposto, um Mercedes-Benz GLE parte de S$ 572.888, quase US$ 100 mil a mais que o preço de um McLaren 750S nos Estados Unidos.
A soma dos custos fica ainda mais complexa com a adição de taxas de registro, um imposto de consumo de 20% sobre o valor de importação, 9% de imposto sobre bens e serviços e a Additional Registration Fee, que pode variar de 100% a 320% do valor do veículo, conforme faixas progressivas. Ao final do período de dez anos, para manter o carro, o proprietário deve pagar o Prevailing Quota Premium (PQP), que corresponde à média dos preços das cotas nos três meses anteriores, sendo necessário desembolsar 100% do valor para renovar a licença por mais uma década ou 50% para cinco anos, sem direito a nova prorrogação.
Apesar das altas taxas e custos, a demanda continua alta, como evidenciado pelo último leilão, que registrou 1.522 lances na categoria A e 1.316 na B.





