Merlin Johnson instalou um turbocompressor Kubota no motor 2,9 L do Model T. A sobrealimentação fez a máxima subir de 37 km/h para 45 km/h e o carro chegou a rodar em via pública.
Um preparador instalou um turbocompressor retirado de um trator Kubota no motor original de um Ford Model T de 1908 e conseguiu fazer o conjunto funcionar em rua. O motor de fábrica é um 2,9 L de quatro cilindros com válvulas laterais que entregava 20,3 cv, e a sobrealimentação elevou a velocidade máxima registrada do carro de 37 km/h para 45 km/h.
O responsável pelo projeto é Merlin Johnson, mecânico experiente que mantém o canal Merlin’s Old School Garage no YouTube. A escolha do componente foi prática: o turbo era compatível em tamanho e arquitetura com as exigências físicas do escape do antigo propulsor, permitindo a adaptação sem intervenção profunda no bloco.
Do ponto de vista histórico, a sobrealimentação não é uma solução moderna aplicada a um motor antigo: o engenheiro Alfred Büchi havia patenteado um sistema de turbina movida a gases de escape em 1905, três anos antes do lançamento do Model T. A aplicação em produção em série só ocorreria décadas depois, em 1962, com o Oldsmobile Jetfire.
Na instalação, a parte mecânica foi descrita como a mais simples. O coletor de escape original em ferro fundido foi removido, foi aberto um furo no ponto adequado, um flange foi usinado e o turbo foi parafusado ali. O maior desafio técnico foi a lubrificação do eixo da turbina: os motores do Model T não possuem bomba de óleo pressurizada, adotando um sistema de lubrificação por respingo que envia o óleo por um tubo até o câmbio.
Sem uma linha pressurizada, o eixo do turbo queimaria rapidamente. A solução encontrada aproveitou a força centrífuga do volante do motor para impulsionar óleo por um tubo de cobre até o turbocompressor; o retorno foi resolvido com um sifão simples que devolve o lubrificante ao cárter do motor.
A primeira partida na oficina não apresentou vazamentos, e o test-drive em bairro confirmou o funcionamento do arranjo. Segundo Johnson, a pressão de sobrealimentação ficou em torno de 6 psi (cerca de 0,4 bar), o que indica que o motor centenário suportou esse nível sem ruptura.
O ganho de 8 km/h é modesto aos padrões atuais e mantém o veículo bem abaixo da velocidade mínima permitida em uma rodovia com limite de 110 km/h no Brasil — 55 km/h, conforme o artigo 62 do Código de Trânsito Brasileiro. O método divulgado não é o mais barato nem o mais eficiente para aumentar desempenho de um Model T e dificilmente será replicado em escala por outros proprietários. Ainda assim, o projeto reforça por que o Model T segue como alvo de modificações mais de um século depois: o carro permanece entre as bases históricas da cultura hot-rod nos Estados Unidos.





