As operações de financiamento do programa Move Brasil, voltado para taxistas e motoristas de aplicativo, começaram oficialmente no dia 19 de junho de 2026. Contudo, a iniciativa, que gerou grande expectativa entre os condutores e atraiu muitos para as concessionárias no fim de semana seguinte, enfrenta críticas devido à baixa taxa de aprovação e à liberação insuficiente de crédito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Motoristas e vendedores que participaram do programa relataram que poucos interessados estão sendo pré-aprovados, e não há retorno do BNDES às concessionárias sobre a falta de financiamento. Em seu site, o banco informa que o programa está em vigor, mas ressalta que o prazo de implementação pelas instituições financeiras participantes pode variar.
Uma vendedora que preferiu permanecer anônima afirmou que a liberação de crédito ainda não ocorreu.
Apesar de muitos motoristas possuírem o perfil exigido, a maioria não consegue a pré-aprovação, o que pode ser atribuído ao alto nível de endividamento ou ao baixo score de crédito. Um motorista que faturava entre R$ 10.000 e R$ 12.000 mensalmente mencionou que,“Estamos com os pedidos feitos, porém aguardando a integração com o BNDES. Ninguém tem prazo, clientes bem insatisfeitos com o serviço do governo.”
Isso ilustra os desafios financeiros enfrentados por muitos condutores.“Geralmente, ele está com um carro alugado, não tem dinheiro para dar uma entrada em um financiamento e pega dinheiro emprestado na própria Uber ou 99.”
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, comentou sobre os problemas do programa. Ele identificou três principais questões que afetam a implementação do Move Brasil.
Segundo o ministro, os bancos têm utilizado score, rating e taxa de risco como justificativa para a não concessão de crédito, o que não faz sentido, já que o governo possui um fundo garantidor para esses empréstimos.“O primeiro problema é que a maioria dos que entram com pedido de crédito têm tido o seu cadastro rejeitado, mesmo tendo o nome limpo.”
Outro ponto levantado por Boulos é a cobrança de taxas pelos bancos para acesso às linhas especiais de crédito.
Ele também mencionou problemas relacionados à conexão automática entre os bancos e o BNDES, que impede a conclusão de contratações mesmo para aqueles que já tiveram o crédito aprovado.“Se uma instituição bancária cobrar isso, motorista, não aceite. Procure outra instituição.”
O BNDES, por sua vez, afirmou que o programa Move Brasil para táxis e aplicativos segue em funcionamento, com operações realizadas por instituições financeiras credenciadas. O banco destacou que a aprovação das operações ocorre de maneira gradual e que os números de desempenho estão em processo de apuração para divulgação futura.
Para participar do programa, taxistas, cooperativas de táxi e motoristas de aplicativo devem ter cadastro ativo há pelo menos 12 meses e ter realizado ao menos 100 corridas nesse período na mesma plataforma. O Move Brasil visa garantir a sustentabilidade financeira das operações e a análise adequada de crédito, assegurando que os recursos públicos sejam aplicados de forma responsável.










