O conceito RCZ Vision traz motor elétrico de 500 cv e bateria de estado sólido para até 600 km de autonomia. Parceria com a Factorial Energy e arquitetura de 1.000 V permitem recarga de 10% a 80% em cerca de 10 minutos.
A Peugeot decide resgatar o espírito do seu cupê RCZ para antecipar soluções da próxima geração de carros elétricos. Batizado RCZ Vision, o conceito associa um conjunto elétrico de 500 cv a baterias de estado sólido e promete até 600 km de autonomia, além de recarga rápida de 10% a 80% em apenas 10 minutos.
O sistema de armazenamento do RCZ Vision é desenvolvido em parceria com a Factorial Energy. A bateria de estado sólido tem 11 cm de espessura e suporta uma arquitetura elétrica de 1.000 V, o que explica a velocidade de recarga anunciada. Esse formato compacto contribui para uma silhueta mais baixa de cupê e, aliado à aerodinâmica e ao peso reduzido, resulta em consumo homologado de 11,5 kWh a cada 100 km no ciclo WLTP. A base técnica do conceito é a plataforma modular STLA One, pensada para acomodar arquiteturas elétricas sem conexões físicas convencionais.
O RCZ Vision também introduz soluções de digitalização da dinâmica veicular. O sistema Steer-by-Wire substitui a coluna de direção por uma ligação eletrônica entre o volante — no caso, um componente retangular denominado Hypersquare — e as rodas. A relação de esterçamento é variável: em manobras o batente máximo do volante exige menos de uma volta completa, enquanto em velocidade alta a relação diminui para favorecer respostas mais suaves e reduzir a transmissão de vibrações do solo.
Os freios adotam a tecnologia Brake-by-Wire, com a conexão hidráulica do pedal substituída por eletrônica que modula força de frenagem e regeneração simultaneamente. Quando a condução não for prioridade, o motorista poderá acionar um sistema de condução autônoma de nível 2++.
O interior do RCZ Vision se distancia da tendência por telas excessivas: visores transparentes de micro-LED posicionados na linha de visão reduzem estímulos visuais, enquanto uma tela central flutuante concentra o sistema multimídia e pode ser totalmente desligada — sua estrutura transparente escurece para limpar o horizonte visual. A configuração preserva quatro lugares com disposição característica de modelos gran turismo.
Nos materiais, a Peugeot substitui o couro animal por Pelinova, um composto feito a partir de sobras da indústria de artigos de luxo que mantém a textura tradicional. Um relógio no painel, assinado pela fabricante Serica, integra acabamentos que combinam peças de alumínio usinado e tecidos claros.
O design mantém traços do RCZ original, mas estica proporções em direção à traseira para ampliar espaço interno. O teto de dupla bolha estende-se até a tampa do porta-malas para melhorar a área de cabeça no banco traseiro; arcos laterais flutuantes recebem pintura formulada com resíduos de alumínio reciclado. A assinatura luminosa adota três garras horizontais na dianteira e na traseira, e o spoiler traseiro é móvel, erguendo-se em velocidade para gerar downforce e mantendo a carroceria lisa em condição de parada.
Historicamente, o RCZ original foi produzido entre 2010 e 2015. No Brasil, o modelo foi vendido entre 2012 e 2016, e passou por variações mecânicas: inicialmente com o motor 1.6 THP de 156 cv acoplado a câmbio automático de seis marchas; havia opção manual de 204 cv e versões com 2.0 turbodiesel de 163 cv. Próximo ao fim da carreira, o cupê recebeu a versão R, que elevou a potência do 1.6 turbo para 270 cv.











