O futuro das marcas Peugeot e Citroën no mercado brasileiro será moldado pela adoção de arquiteturas e tecnologias da fabricante chinesa Dongfeng. Após a criação da Stellantis em 2021, os projetos que estavam em andamento foram mantidos, mas um realinhamento se faz necessário. A integração de tecnologias chinesas pode proporcionar uma redução de custos e acelerar o processo de renovação dos modelos oferecidos.
A Stellantis, que controla marcas como Fiat, Jeep, Ram, Peugeot, Citroën, Abarth e Leapmotor no Brasil, observa um contraste acentuado entre o desempenho de Fiat e Jeep e as vendas da Peugeot e Citroën. No primeiro semestre, a Fiat alcançou 270.946 emplacamentos e a Jeep, 56.426. Em contrapartida, a Citroën registrou apenas 17.501 unidades, enquanto a Peugeot somou apenas 8.754, números que a colocam atrás de concorrentes que operam com importados, como Ford e Geely.
O presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, declarou que a Peugeot mudará sua abordagem de mercado. “A Peugeot será uma marca de nicho posicionada acima da Fiat”, afirmou Zola durante um encontro com jornalistas. O foco agora será em oferecer veículos com maior margem de lucro, atendendo a consumidores que valorizam design e acabamentos superiores, sem a intenção de liderar os segmentos em que atuam.
Historicamente, a Peugeot enfrentou desafios em seu último plano de investimentos, que concentrou a produção na Argentina. Desde 2015, a proporção de carros importados no mercado argentino cresceu de 40% para 70%, o que impactou negativamente a marca no Brasil. Em 2026, o Peugeot 2008 vendeu mais do que o 208, com 4.211 unidades contra 2.960 do hatch, evidenciando um desempenho fraco. O Peugeot e-3008, que foi prometido para o Brasil há dois anos, ainda não foi lançado, o que poderia ajudar a consolidar a imagem da marca como um nome de nicho.
A Citroën, por sua vez, continua a seguir uma estratégia que prioriza os segmentos de entrada, oferecendo carros com um apelo mais racional, espaço interno e baixo custo de manutenção. A marca está focada em modelos como o C3, Aircross e Basalt, sendo este último o maior sucesso de vendas, com 7.621 emplacamentos no primeiro semestre. Todos esses modelos são produzidos na fábrica de Porto Real (RJ).
Desde a fusão que levou à formação da Stellantis, muitos projetos da Peugeot e Citroën continuaram seguindo suas diretrizes originais. Contudo, alguns veículos não atenderam às demandas específicas do mercado sul-americano, resultando em uma necessidade de maior autonomia na engenharia e seleção de portfólio. A Stellantis está implementando a filosofia de “fast lane”, que permite que cada operação regional busque parcerias e produtos que atendam melhor às expectativas do mercado local.
O futuro da Peugeot e Citroën pode estar intimamente ligado à colaboração com a Dongfeng, que já possui quase três décadas de atuação conjunta na China. Essa parceria pode facilitar a introdução de carros compactos, picapes e SUVs adaptados ao público sul-americano, reduzindo a dependência de plataformas europeias que encarecem os produtos no Brasil. Além disso, há a possibilidade de que modelos da Dongfeng sejam produzidos no Brasil, ampliando ainda mais o portfólio local e fortalecendo a presença das marcas no mercado.










