A Porsche aposta em carros únicos sob encomenda e em um programa para revitalizar clássicos. Segundo Alexander Fabig, serão feitos 15 one-offs e a restauração do Carrera GT pode chegar a R$ 4,3 milhões.
A Porsche decidiu reduzir volume e aumentar a lucratividade por unidade com duas frentes de atuação: carros únicos sob encomenda e um programa de revitalização de clássicos. A fabricante está construindo 15 one-offs e cobra até R$ 4,3 milhões para restaurar o Carrera GT, superesportivo produzido entre 2003 e 2006.
Os valores foram revelados por Alexander Fabig, vice‑presidente de Personalização e Clássicos da Porsche, em entrevista. A iniciativa surge em um momento de margem pressionada: lucros em queda, tarifas de importação, concorrência na China e decisões de investimento na eletrificação. Nos nove primeiros meses de 2026, as entregas da marca caíram 16%, para 178.532 carros.
O objetivo declarado da marca é reduzir o ponto de equilíbrio — o volume de vendas necessário para não operar no prejuízo — para menos de 200 mil carros por ano. Nesse contexto, a estratégia de concentrar receitas em modelos de alto valor agregado aparece como alternativa para elevar margem média por veículo mesmo com menor volume de saída.
Os carros únicos saem da divisão Sonderwunsch (“desejo especial”, em alemão) e terão preços que vão de pouco menos de R$ 10,8 milhões (US$ 2 milhões) a cerca de R$ 81 milhões (US$ 15 milhões). O teto de preço é comparável a mais de 80 unidades do 911 Carrera de entrada no Brasil, que parte de R$ 980 mil, sinalizando o posicionamento extremo desses projetos. O serviço inclui muito mais do que pinturas e opcionais: os projetos exigem peças novas e desenvolvimento prolongado.
A outra frente é o programa de revitalização de fábrica para o Carrera GT, que prevê a desmontagem completa do carro equipado com motor V10, revisão de componentes mecânicos e entrega com nível próximo ao de um exemplar novo, além de personalizações de cabine e carroceria conforme pedido do proprietário. Cada reforma custa de R$ 2,7 milhões a R$ 4,3 milhões (US$ 500 mil a US$ 800 mil), sem considerar o preço de aquisição do veículo.
A procura pelo programa de clássicos é significativa: 11 carros já foram entregues, 16 estão na oficina e 21 aguardam na fila — um total de 48 exemplares, o que representa quase 4% das 1.270 unidades fabricadas do modelo. Entre os projetos concluídos está um exemplarde restauro com pintura inspirada no Porsche 917 número 23, vencedor da primeira vitória geral da marca nas 24 Horas de Le Mans, em 1970, e com hodômetro zerado ao término do processo.











