O governo cancelou, em cima da hora, a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que estava marcada para hoje, 8 de julho de 2026. O encontro abordaria temas cruciais como o aumento da mistura de etanol na gasolina e a moratória das importações de biodiesel.
A decisão de cancelar a reunião partiu da Casa Civil, surpreendendo até mesmo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD/MG), que havia anunciado oficialmente a realização do encontro e uma coletiva de imprensa programada para a manhã de hoje.
Entre os tópicos que seriam discutidos, destacava-se a proposta de elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina comum, passando de 30% para 32%, o que é conhecido como E32. Além disso, uma minuta que determinaria que todo o biodiesel utilizado na mistura obrigatória deveria vir de usinas nacionais também estava em pauta. Com o cancelamento, a definição sobre o E32 permanece indefinida, após meses de adiamentos sucessivos.
O aumento da mistura de etanol é uma promessa do governo federal aos usineiros e, se aprovado, a previsão é que comece a valer em agosto. A proposta ganhou força no primeiro semestre do ano como uma medida de segurança energética, especialmente em resposta ao choque nos preços do petróleo causado pela guerra no Oriente Médio. Este movimento conta com o forte apoio de setores ligados ao agronegócio, que acreditam que a medida pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros mensais a importação de gasolina.
O E32 representaria um avanço em relação ao E30, que está em vigor desde 1º de agosto de 2025. Na ocasião, o CNPE elevou a mistura de etanol de 27% para 30%, e a octanagem mínima (RON) da gasolina comum foi aumentada de 93 para 94. O governo havia projetado uma redução de até R$ 0,20 por litro nos preços ao consumidor, mas dados da ANP e da Petrobras indicam que essa queda não foi expressiva nos meses subsequentes.
Ao contrário do E30, que passou por testes no Instituto Mauá de Tecnologia, o E32 não terá nova rodada de ensaios. Especialistas alertam que isso pode resultar em impactos negativos em veículos mais antigos, motocicletas e modelos importados. Ademais, analistas apontam uma contradição no discurso do governo, que anunciou a retirada de subsídios aos combustíveis, mas utiliza a justificativa do E32 para reduzir a exposição aos preços globais.
A moratória do biodiesel também enfrenta resistência, especialmente de distribuidoras, postos e importadores. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) enviou um ofício esta semana aos membros do CNPE defendendo a abertura do mercado à importação.





