A fabricante britânica, parte do Grupo BMW, afirma que a idade média dos compradores caiu de 56 para 43 anos desde 2010. A renovação vem com modelos como o SUV Cullinan e foco em exclusividade e personalização.
A Rolls‑Royce está atraindo uma base de clientes progressivamente mais jovem. A fabricante britânica, que pertence ao Grupo BMW, registra hoje uma idade média de clientes de 43 anos, ante 56 anos antes de 2010. A mudança reflete uma estratégia deliberada de renovação do público, mantendo os pilares de luxo, exclusividade e alto nível de personalização.
Entre os elementos que vêm impulsionando essa transformação estão modelos e programas lançados na última década. O SUV Cullinan, estreado em 2018, ampliou o alcance da marca para compradores que buscam versatilidade e presença em segmentos de alto valor. A linha Black Badge, com visual escurecido e calibração mais esportiva desde 2016, também contribuiu ao oferecer uma estética e dinâmica mais agressivas dentro do portfólio de luxo.
A divisão Coachbuild, responsável por carros feitos sob encomenda, é outro vetor importante: projetos como Boat Tail e Droptail demonstram o grau extremo de personalização e apelo exclusivo que atraem colecionadores e clientes de fortunas elevadas, inclusive entre perfis mais jovens em mercados específicos.
Segundo Julian Jenkins, diretor de vendas e marca da Rolls‑Royce, a marca já é relevante até entre milionários da geração Z em alguns mercados, com clientes na China que ainda não chegaram aos 30 anos. Jenkins atribui parte da mudança ao mix de produto e à oferta de experiências de compra remodeladas para um público com expectativas diferentes em relação à marca de luxo.
A experiência do cliente tem sido repensada fora do carro. Showrooms foram redesenhados para promover ambientes imersivos: na loja de Beverly Hills, por exemplo, o espaço ganhou um lounge com bar inspirado nos estabelecimentos clandestinos do período da Lei Seca (1920–1933). O local funciona como ponto de encontro para clientes e potenciais compradores, integrando hospitalidade e apresentação do produto.
O reposicionamento da Rolls‑Royce acompanha movimentos de outras marcas de luxo que buscam experiências de varejo diferenciadas e segmentação mais acentuada de suas divisões ultraluxo. A estratégia tem também uma dimensão demográfica: a saída de cena gradual dos baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964) torna necessário conquistar novas gerações para sustentar vendas no futuro.
Para Milton Pedraza, CEO do Luxury Institute, a capacidade de preservar tradição enquanto amplia opções de customização é crucial. Segundo ele, há clientes que pagam meio milhão de dólares (cerca de R$ 2,7 milhões) pelo modelo básico e desembolsam valor semelhante para adaptar o carro ao gosto pessoal, evidenciando que a personalização profunda segue sendo um motor de receita e um diferencial competitivo.





