Sedãs caem de 29% para 12% das vendas em 10 anos; SUVs vão a quase 55%
O perfil do carro mais vendido no Brasil mudou nos últimos dez anos: em 2015 os sedãs representavam 29% dos emplacamentos de veículos zero quilômetro; em 2025 a participação caiu para 12%, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No mesmo período, os utilitários esportivos (SUVs) avançaram de 14% para quase 55% do mercado.
Para Murilo Briganti, sócio da Bright Consulting, a queda dos sedãs se dá mais por perda de protagonismo do que por um abandono total: o SUV assumiu o papel do “carro padrão” nas famílias brasileiras. Ele aponta a aproximação de preços entre sedãs e SUVs como fator importante na escolha do consumidor — exemplos citados na faixa de cerca de R$ 110 mil incluem Volkswagen Virtus e T-Cross; na casa dos R$ 200 mil estão Toyota Corolla e Corolla Cross. Briganti também destaca posição de dirigir mais elevada, sensação de segurança, versatilidade e status como atrativos dos SUVs.
O consultor automotivo Milad Kalume Neto observa que a chegada de SUVs de entrada, como Volkswagen Tera, Fiat Pulse e modelos da Chevrolet, tende a reduzir ainda mais o espaço dos sedãs, e avalia a possibilidade de picos de vendas dos SUVs com participação em torno de 50% ao longo do ano.
Apesar da retração, sedãs mantêm nichos de mercado. Kalume Neto chama atenção para o segmento mais caro — o conhecido “carro de patrão” — que sofreu menos impacto, citando exemplos de executivos que continuam optando por sedãs de luxo, como Mercedes Classe C, E e SL. No conjunto, sedãs grandes, voltados ao público executivo, apresentaram trajetória mais estável. Já os sedãs pequenos tiveram queda expressiva: de 17% para menos de 3% das vendas em dez anos, uma retração de cerca de 83%.
Briganti e Kalume Neto apontam ainda que frotas, locadoras, motoristas de aplicativo e taxistas ajudam a sustentar parte das vendas de sedãs, devido à valorização de espaço interno, conforto e custo operacional. O tamanho do porta-malas é outro elemento relevante para quem transporta bagagem ou viaja com frequência. Há também consumidores que preferem a dinâmica do sedã — carro mais baixo, centro de gravidade mais próximo ao solo e maior estabilidade em estrada.
O g1 avaliou por uma semana o Toyota Corolla Altis Hybrid para verificar características que ainda preservam a preferência por sedãs. Segundo o teste, o Corolla oferece acabamento com superfícies macias em grande parte da cabine, em contraste com concorrentes SUVs como Volkswagen Taos, Nissan Kicks e Hyundai Creta, que usam mais plástico rígido. Entre os equipamentos, o sedã traz central multimídia de 10,1 polegadas com espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, teto solar e piloto automático adaptativo capaz de manter o carro centralizado mesmo em trechos sem faixas pintadas.
Em comparação com o Corolla Cross, o sedã tem cerca de seis centímetros a mais de entre-eixos, proporcionando mais espaço para passageiros no banco traseiro, e porta-malas maior em volume, embora com limitação de altura imposta pela carroceria. O Corolla Cross, por sua vez, oferece freio de estacionamento eletrônico que facilita a função de parada total com piloto automático adaptativo.
O teste também registrou diferenças de comportamento: a posição de dirigir mais baixa do sedã transmite maior sensação de segurança em curvas e caráter mais esportivo, enquanto o Corolla Cross se saiu melhor em trechos com lombadas e valetas, sem o limite de altura que causa raspagens no sedã ao enfrentar rampas.
Em resumo, o sedã mantém vantagens em dirigibilidade, acabamento e espaço interno em alguns casos, mas cede terreno à preferência nacional pelos SUVs, que predominam nas escolhas de quem prioriza conforto urbano e maior altura útil do porta-malas.
Com informações de G1





