A montadora retomou parte das operações na fábrica de motores com a inauguração de uma nova fundição no complexo original. O colapso do telhado expôs a linha à chuva e obrigou ação emergencial para proteger equipamentos.
Um ano após o colapso do telhado causado por uma microexplosão atmosférica em 22 de setembro de 2025, a Toyota reinaugurou parte das operações em sua fábrica de motores em Porto Feliz (SP) com a abertura de uma nova fundição no complexo original. O episódio havia exposto a linha de montagem à chuva e motivou uma operação de emergência para proteger equipamentos e manter projetos essenciais.
“Quando consegui falar com alguém, a pessoa estava apavorada e eu escutava gritos no fundo. Então ela falou: ‘destruiu Porto Feliz’.”
Essa lembrança foi registrada por Gilberto Paulino, diretor industrial da Toyota, que ressaltou que a evacuação rápida evitou acidentes graves. Antes da queda da cobertura, uma queda de energia havia acionado protocolos de segurança e evacuado os funcionários da área principal; a cobertura cedeu três minutos depois.
“O telhado não existia mais. Chuva, sol e os equipamentos de altíssima precisão ali. Precisávamos tomar ações rápidas.”
Com a prioridade em preservar a operação, a matriz brasileira determinou que a equipe permanecesse unida em um único local durante a reconstrução para evitar a fragmentação. A remoção do parque de máquinas tornou-se prioridade: foram mais de 800 equipamentos inicialmente a serem protegidos, com 622 máquinas efetivamente transferidas ao complexo provisório no condomínio empresarial DVR.
“O que demora quatro meses para fazer um layout desse, nós fizemos em quatro dias.”
O galpão temporário, localizado a 11 quilômetros da fábrica de veículos de Sorocaba (SP), oferecia piso de alta resistência, refeitório e pátio, mas exigiu adaptações elétricas. A capacidade inicial era apenas para iluminação; uma subestação de energia, estimada para dez meses, foi concluída em três meses com o apoio da concessionária, e testes iniciais ocorreram com geradores portáteis para manter o cronograma.
Em razão do apagão, equipamentos vitais da área de fundição foram perdidos. Segundo o diretor industrial, a linha de alta pressão teve o alumínio reaquecido e partes recuperadas, mas a fundição de baixa pressão, responsável pelo cabeçote, foi perdida. Para garantir suprimento, a empresa enviou moldes exclusivos para o Japão e para a Indonésia.
A operação provisória priorizou usinagem e montagem do motor 1.5 do Yaris Cross — versão exclusiva para o Brasil com tecnologia híbrida flex e injeção direta — e hoje o local entrega 400 propulsores por dia. A linha do motor 2.0 flex, usado em Corolla e Corolla Cross, teve equipamentos armazenados enquanto a matriz absorveu demanda; o motor importado do Japão não é flex, o que exigiu o envio de peças nacionais para o exterior.
A nova fundição em Porto Feliz recebeu reforços metálicos 45% mais resistentes em relação ao projeto original. A previsão anunciada pela empresa é de retornar toda a produção do motor 2.0 ao complexo de origem até 2028. Para o motor 1.5 não há previsão de retorno ao prédio original: a transferência exigirá paralisação da produção de carros em Sorocaba durante o movimento e reinstalação das máquinas, e um estudo está em andamento para avaliar alternativas, como a criação de estoque e uma transferência gradual.










