A Toyota planeja faturar R$ 9 bilhões/ano até 2032 vendendo motores e sistemas híbridos a outras montadoras. É três vezes o previsto para 2026; primeiras entregas chegam em 2027 com três motores 4-cilindros.
Enquanto boa parte da indústria reduz investimentos em motores a combustão, a Toyota decidiu transformar essas unidades em uma nova fonte de receita. A fabricante japonesa quer vender motores e sistemas híbridos a outras montadoras e faturar cerca de R$ 9 bilhões por ano com esse negócio até 2032. É o triplo dos cerca de R$ 3 bilhões que o fornecimento a terceiros deve render em 2026.
As primeiras entregas da nova geração de motores estão previstas para 2027. A nova família terá três opções, todas de quatro cilindros: um 1.5 aspirado, um 1.5 turbo e um 2.0 turbo, que também podem trabalhar com sistemas híbridos. O 1.5 deve substituir os conjuntos usados hoje em modelos como Yaris e Corolla. O 1.5 turbo entrega a potência de um motor 2.5 aspirado atual, enquanto o 2.0 turbo promete superar o 2.4 turbo que equipa SUVs grandes e picapes da marca nos Estados Unidos.
Os motores foram desenvolvidos já pensando na eletrificação e, por isso, são cerca de 10% menores em volume e altura. Essa redução de dimensões permite baixar o capô, o que melhora a aerodinâmica do veículo e oferece mais liberdade aos projetistas de carroceria. Segundo a Toyota, o novo 1.5 deixa um sedã 12% mais econômico, indicador que reforça o foco em eficiência térmica aliado à eletrificação leve ou full hybrid.
Os primeiros clientes previstos para o fornecimento são parceiros históricos: Mazda, Subaru e Suzuki, além da Daihatsu, subsidiária da Toyota. Juntas, as cinco marcas vendem cerca de 16 milhões de veículos por ano. Essa estratégia não elimina os projetos internos: a Mazda segue desenvolvendo o motor Skyactiv-Z e um sistema híbrido para o CX-5, e a Subaru mantém a aposta nos motores boxer de cilindros horizontais opostos.
Do ponto de vista econômico e industrial, a oferta de powertrains a terceiros dilui os custos de desenvolvimento em mais unidades, reduzindo o custo marginal por motor e ajudando a tornar a arquitetura competitiva frente à concorrência, especialmente a chinesa. Para as outras fabricantes parceiras, a aquisição de mecânicas novas representa acesso a tecnologia sem a necessidade de bancar sozinho todo o investimento de pesquisa e desenvolvimento.
Fora do pacote comercializado por enquanto fica o motor V8 4.0 que a Toyota também desenvolve: por ora, ele não está nos planos de venda a outras marcas. A movimentação da Toyota sinaliza uma aposta comercial em motores a combustão e híbridos como negócio adicional à transição elétrica, com cronograma e metas financeiras explicitadas para o período até 2032.





