A startup capixaba faz micro-ônibus e caminhões circularem sem motorista dentro de siderúrgicas e portos. São 10 veículos entre seis clientes, incluindo Suzano, ArcelorMittal, Portocel, Ypê e Mercedes-Benz.
Um micro-ônibus que transporta funcionários dentro de uma siderúrgica no Espírito Santo opera sem motorista ao volante. O sistema que conduz o veículo é desenvolvido pela Lume Robotics, startup capixaba que também coloca caminhões autônomos para trabalhar em fábricas e portos de empresas como Suzano, ArcelorMittal, Portocel, Ypê e Mercedes-Benz.
Atualmente são dez veículos autônomos distribuídos entre seis clientes. Na Suzano, quatro caminhões levam a produção das linhas da fábrica até o centro de distribuição. Já na ArcelorMittal Tubarão, na Serra (ES), o micro-ônibus da Marcopolo transporta funcionários desde o fim de junho.
O software da Lume usa inteligência artificial para mapear o trajeto, reconhecer obstáculos parados ou em movimento e decidir como desviar, de forma análoga ao que faria um motorista em operação repetitiva. Segundo a Lume, o sistema reage em um décimo de segundo, desempenho que a empresa destaca como mais rápido que o reflexo humano. A firma estima que a automação reduz em cerca de 25% os custos de operação, com economia de combustível e manutenção.
Por enquanto, a tecnologia é aplicada em áreas privadas: os veículos rodam somente em pátios industriais, fábricas, portos e centros logísticos, repetindo trajetos definidos e operando em ambiente controlado, sem exposição ao trânsito comum das vias públicas.
A Lume nasceu em 2019, a partir de cerca de dez anos de pesquisa sobre carros autônomos na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Antes da formalização da empresa, a mesma equipe participou de um teste em 2019 que fez um jato executivo Legacy 500 taxiar de forma autônoma pela pista, em trabalho com a Embraer.
O primeiro capital veio do Programa Centelha, do governo federal, que aportou em bolsas e equipamentos. Desde então, segundo o fundador, Rânik Guidolini, a startup cresce em média 150% ao ano e já captou quase R$ 5 milhões de investidores privados.
O roadmap inclui o desenvolvimento de um caminhão elétrico sem cabine, feito em parceria com a Suzano para transporte de celulose. O protótipo deve ficar pronto em 2027, com testes previstos para 2028. No mesmo prazo, a Lume pretende conquistar os primeiros clientes fora do país — há negociações com empresas do Uruguai, do Chile e do México — e dobrar a operação, chegando a cerca de 12 clientes e 20 veículos.
O modelo de operação da Lume foca em veículos especializados para tarefas industriais e logísticas, com ênfase em repetitividade, segurança e redução de custo operacional. A estratégia prioriza ambientes fechados e controlados, onde sensores, mapeamento e algoritmos podem atuar com previsibilidade e menor risco regulatório em relação à circulação em vias públicas.






