Ônibus que levavam de volta para casa passageiros do Ore Comigo Music Festival foram apedrejados na madrugada de domingo (23) na BR-040, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O ataque ocorreu por volta da meia-noite no km 565,9, próximo à primeira praça de pedágio, no sentido Rio de Janeiro, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Cerca de cinco homens, escondidos na mata à beira da pista, arremessaram pedras contra os coletivos e fugiram em uma van branca. Cinco ônibus foram atingidos: quatro veículos de turismo e um coletivo da Viação Cometa, que fazia a linha regular entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro. Pelo menos quatro pessoas ficaram feridas, entre elas crianças.
Os agressores usavam camisas do Cruzeiro e capuzes e, segundo a principal suspeita da investigação, confundiram os fiéis com caravanas de torcedores do Flamengo. A confusão traz implicações para a segurança de transporte coletivo em eventos de grande público e destaca o risco de violência nas rodovias mesmo quando os veículos não exibem identificação de torcida.
O Ore Comigo Music Festival, realizado na Arena MRV, havia reunido público estimado em 60 mil pessoas, com ingressos esgotados, mais de dez horas de apresentações, oração e pregação. No evento, a venda de bebidas alcoólicas foi proibida e a entrada era gratuita para crianças de até seis anos. Paralelamente, o jogo entre Cruzeiro e Flamengo, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, foi disputado no Mineirão, em outra região da capital. O Cruzeiro venceu por 2 a 1, de virada, com gol de Matheus Pereira nos acréscimos.
Dois dos ônibus atacados pertenciam à Vinny Vans Transportes e Turismo, de Santos Dumont, e seguiam para a Zona da Mata mineira, transportando cerca de 90 passageiros no total. O proprietário de dois dos veículos afirmou que nove ônibus foram atingidos — número superior ao registrado pela PRF — e que nenhum transportava torcedores. Ele estimou o prejuízo entre R$ 5 mil e R$ 7 mil na própria frota e avaliou perdas superiores a R$ 50 mil no total. Em função dos danos, alguns coletivos não tiveram condições de seguir viagem.
O ataque ocorreu em período de restrição às principais torcidas organizadas mineiras: a Máfia Azul (Cruzeiro) e a Galoucura (Atlético) cumpriam banimento determinado pelo Ministério Público de Minas Gerais, que as afasta dos estádios até março de 2028 e veta o uso de camisas e faixas num raio de cinco quilômetros das praças esportivas em dias de jogo. A punição foi aplicada após a morte de um torcedor em confronto entre grupos rivais.
A concessionária EPR Via Mineira informou que atendeu à ocorrência, avaliou uma passageira com ferimentos leves que recusou encaminhamento hospitalar e registrou boletim de ocorrência. O caso está sob investigação e nenhum suspeito havia sido preso até a publicação.





