A Volkswagen Tukan está pronta, mas só chegará às lojas no começo de 2027 com a missão de posicionar a marca no segmento de picapes intermediárias. O projeto recomeçou após mais de dez anos de desenvolvimento e foi redesenhado para reduzir custos, simplificar a arquitetura e aumentar a gama de versões, com foco tanto em uso comercial quanto em lazer.
O ponto de partida foi a picape conceitual Tarok, apresentada em 2018 e exibida em salões internacionais nos anos seguintes, mas que não saiu do papel. O projeto original enfrentou dificuldades financeiras, limitação de capacidade fabril na planta de General Pacheco, na Argentina (ocupada por Amarok e Taos) e um cenário de demanda alterado pela pandemia de Covid-19. A Tarok era uma proposta sofisticada, com tração integral 4Motion, motor 1.4 TSI e soluções modulares como uma divisória basculante entre cabine e caçamba.
A nova proposta é muito mais pragmática. A Tukan é sensivelmente menor que a Tarok e aproveita componentes já existentes — capô e para-brisa vêm do VW Tera — para reduzir custos. A arquitetura técnica mudou: em vez da variação alongada da plataforma MQB usada no projeto de 2018, a Tukan utiliza a base MQB-A0, a mesma de Polo, T‑Cross, Nivus e Tera, o que facilita a integração de peças e a economia de escala.
Dimensionalmente, a Tukan tem 4,64 m de comprimento, 1,80 m de largura e 2,79 m de entre‑eixos, valores que a colocam no patamar de uma Chevrolet Montana e favorecem uso urbano e manobrabilidade. A Tarok, por sua vez, projetava 4,91 m de comprimento e 2,99 m de entre‑eixos.
O pacote de simplificações inclui mudanças mecânicas e de capacidade: a Tukan adota eixo rígido e molas semielípticas na traseira, arquitetura voltada para carga e facilidade de manutenção para frotistas, e terá tração dianteira. A Tarok previa suspensão traseira independente multilink e sistema 4Motion, soluções mais complexas e custosas. A Tarok prometia 1.030 kg de capacidade de carga; a Tukan terá, conforme divulgado pela fabricante:
“mais de 700 kg”
Em comparação, a Saveiro carrega até 715 kg na versão cabine simples. O volume da caçamba da Tukan é de 1.393 l nas versões com cabine simples e 962 litros nas de cabine dupla; a Saveiro tem 924 litros (cabine simples) e 580 litros (cabine dupla). Outro ponto de custo: a Tukan terá freios traseiros a tambor até nas versões de topo, enquanto a Saveiro e a Tarok previam discos nas quatro rodas.
Quanto a opções e posicionamento, a linha incluirá versões com cabine simples voltadas ao trabalho (Robust e Iron) e versões com cabine dupla para lazer (Extreme), cobrindo um espectro que a Tarok não atenderia por preço e que a Saveiro, que seguirá em produção, já não alcança. A produção está prevista para São José dos Pinhais (PR), ao lado de T‑Cross e Virtus.
O trem de força acompanhará a tendência de eletrificação: o conceito Tarok previa motor 1.4 TSI flex de 150 cv e 25,5 kgfm; para a Tukan a expectativa recai sobre o 1.5 TSI flex da família eTSI Evo2, associado a um conjunto híbrido leve de 48V nas versões mais caras. Essas escolhas alinham a Tukan a uma proposta mais funcional e de custo controlado, em vez da proposta premium que a Tarok chegou a sugerir.
















