Uma greve geral realizada em 19 de fevereiro interrompeu a produção de importantes montadoras instaladas na Argentina. O movimento, convocado em protesto contra a reforma trabalhista do presidente Javier Milei, afetou unidades da Ford, Volkswagen, Toyota, Stellantis e Mercedes-Benz.
Motivos da paralisação
O protesto se opõe à proposta de mudança nas leis trabalhistas, que inclui aumento da jornada de trabalho e endurecimento das regras para férias, indenizações, licenças médicas e negociações coletivas. Sindicatos afirmam que as alterações prejudicam direitos históricos dos trabalhadores.
Impacto nas fábricas
Na província de Buenos Aires, a planta da Ford em Pacheco, responsável pela picape Ranger — que teve mais de 34 mil unidades vendidas no Brasil em 2025 — ficou paralisada. A poucos quilômetros dali, a Volkswagen suspendeu a montagem da Amarok e interrompeu parcialmente as linhas em Córdoba, onde produz veículos pesados e transmissões.
Em Zárate, a Toyota detém a produção da Hilux, da SW4 e da van Hiace, modelos que juntos somaram mais de 66 mil emplacamentos no mercado brasileiro no ano passado. A Mercedes-Benz também teve interrupção em Virrey del Pino, onde fabrica a van Sprinter.
A Stellantis suspendeu temporariamente a linha de montagem em Córdoba, afetando a produção do Fiat Cronos, do Titano e da picape RAM Dakota. Na unidade de Palomar, a paralisação coincidiu com uma parada programada para atualização dos equipamentos, com retorno previsto para 2 de março. A Renault em Santa Isabel também fez uma pausa técnica já prevista no calendário de produção.
Repercussão e previsões
A Volkswagen afirmou que a paralisação deve durar apenas um dia e não acarretará atraso nas entregas nem falta de veículos no estoque brasileiro. A Stellantis classificou a greve como um evento externo à empresa e declarou que as atividades serão retomadas ainda nesta quinta-feira. Ford, Toyota e Mercedes-Benz, procuradas pelo G1, não se manifestaram até o fechamento desta reportagem.
A Argentina é um dos principais fornecedores de carros ao Brasil. Em 2025, o país vizinho exportou aproximadamente 200 mil veículos ao mercado brasileiro, representando cerca de 40% do total de importações nacionais.
As discussões sobre a reforma trabalhista avançam na Câmara dos Deputados argentina, onde o texto sofreu alterações em comissões antes de seguir para votação em plenário.
Com informações de G1





