Diante dos juros elevados de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, o empréstimo com garantia de veículo vem ganhando espaço no Brasil como uma alternativa de crédito mais barata e com prazos mais longos. Este modelo de financiamento permite que o proprietário utilize seu automóvel como garantia, mantendo a posse e o uso do veículo durante todo o contrato.
No entanto, é importante destacar que o carro fica registrado em alienação fiduciária à instituição financeira, o que significa que a propriedade do veículo só retorna ao seu dono após a quitação total da dívida. As condições de financiamento variam de acordo com a política de crédito de cada banco, o ano do veículo e o prazo escolhido. O valor liberado geralmente corresponde a um percentual do preço de mercado do carro.
Um dos principais pontos de atenção ao optar por esse tipo de crédito é o risco patrimonial. Como o veículo responde pela dívida, o atraso no pagamento pode levar à perda do bem. De acordo com o Decreto-Lei 911/1969, o processo de busca e apreensão é rápido, e um juiz pode autorizar a retomada do veículo antes mesmo de o devedor ser notificado. Após a apreensão, o dono tem apenas cinco dias úteis para quitar o débito integral e reaver o carro. Além disso, a retomada do veículo não encerra automaticamente a dívida — o carro pode ser leiloado e, se o valor obtido não cobrir o saldo devedor e os encargos, o consumidor continuará devendo.
O cenário macroeconômico atual intensifica essa preocupação. Em abril, a taxa média do crédito livre às famílias estava em 63% ao ano, segundo dados do Banco Central. O endividamento das famílias se aproxima de 50% da renda, um índice perto do recorde histórico, e a inadimplência das pessoas físicas subiu para 5,4%. Nesse contexto, contrair mais crédito em um ambiente de juros elevados e orçamento apertado aumenta o risco de inadimplência.
Outro aspecto a ser considerado são as taxas de juros. Embora a modalidade de empréstimo com garantia de veículo seja teoricamente mais barata, isso nem sempre se concretiza. A Justiça já considerou abusivos contratos que, mesmo com o carro como garantia, cobravam juros de crédito pessoal, uma das opções mais caras do mercado. Por isso, especialistas recomendam comparar as taxas oferecidas com a média divulgada pelo Banco Central e ler o contrato com atenção, especialmente em relação a seguros e tarifas embutidos.
Além disso, o setor financeiro também atrai fraudes. É fundamental lembrar que instituições financeiras legítimas não exigem pagamentos antecipados para análise ou liberação de crédito. Ofertas que prometem aprovação imediata e juros extremamente baixos devem ser vistas com desconfiança. Órgãos de defesa do consumidor aconselham a verificar a reputação da instituição, confirmar se ela é autorizada pelo Banco Central e ter cautela com propostas feitas por redes sociais ou aplicativos de mensagens.





