Os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 estão provocando mudanças significativas na rotina das cidades do país. Dados recentes de mobilidade e consumo de energia evidenciam esse fenômeno. Na última segunda-feira (29), durante a vitória do Brasil sobre o Japão por 2 a 1, o aplicativo Moovit registrou um aumento de 61% no uso do transporte público em São Paulo, por volta das 13h, uma hora antes do início da partida. Este aumento reflete a movimentação antecipada das pessoas em direção a suas casas, em busca de assistir ao jogo.
No entanto, durante a partida, a situação se inverteu. Às 16h, o movimento no transporte público caiu 36% em relação à média usual, e mesmo após o jogo, o fluxo de passageiros não retornou aos níveis habituais para um dia útil. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo também registrou uma diminuição significativa no congestionamento. A cidade apresentava apenas 122 km de lentidão às 8h, uma redução de 71% em comparação com a semana anterior. À medida que se aproximava a hora do jogo, os congestionamentos aumentaram para 943 km às 13h, o maior número do mês para aquele horário. Entretanto, durante a partida, a lentidão caiu para apenas 18 km, um índice típico de feriados.
Esse padrão de comportamento não se restringe apenas à capital paulista. Levantamentos de tráfego destacam cidades como Campo Grande, Manaus, Governador Valadares e Boa Vista como algumas das mais impactadas pela alteração na rotina durante os dias de jogo. Em Belo Horizonte, por exemplo, a prefeitura implementou uma operação especial de trânsito e transporte para o jogo contra os japoneses.
A influência dos jogos também se reflete no consumo de energia elétrica. Segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS), a carga do Sistema Interligado Nacional caiu 21% durante a partida Brasil x Japão, atingindo um mínimo de 66.515 MW às 14h47. Entre 13h e o início do jogo, houve uma redução de 4,5 GW, volume equivalente ao consumo médio do estado do Rio Grande do Sul.
Como a partida teve início às 14h, coincidentemente durante o pico de geração solar, o operador teve que cortar aproximadamente 21,8 GW de fontes renováveis para manter a estabilidade da rede elétrica. Esse volume é equivalente à produção de energia de uma vez e meia a usina de Itaipu. O comportamento observado durante essa partida segue a tendência de jogos anteriores, que também registraram quedas no consumo: 14,4% contra a Escócia, 9,6% diante do Haiti e 8,6% na estreia com o Marrocos, sempre com um aumento significativo de carga durante o intervalo, quando os torcedores costumam correr para as geladeiras.






