No Palácio do Planalto, Antonio Filosa atribuiu em tom de brincadeira a falha do microfone a uma 'bateria de origem asiática'. A fala, diante de Lula, Alckmin e ministros, gerou questionamentos no setor automotivo.
Durante um encontro no Palácio do Planalto, o CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, cometeu uma gafe ao justificar um mau funcionamento de seu microfone, afirmando: “Deve ser de origem asiática, a bateria.” O incidente ocorreu enquanto Filosa apresentava projetos e dados sobre geração de empregos, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de ministros do governo.
A fala de Filosa, embora proferida em tom de brincadeira, levantou questionamentos, uma vez que a Stellantis, conglomerado que controla marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën, possui diversos parceiros de origem asiática, incluindo as montadoras chinesas Dongfeng e Leapmotor, que atua no segmento de carros eletrificados no Brasil.
O comentário ocorreu em um contexto de apresentação de fatos relevantes sobre os 50 anos da Fiat no Brasil. Após a declaração, Alckmin riu, enquanto Lula não demonstrou reação visível.
Filosa participou de uma série de eventos comemorativos pelos 50 anos de atividade industrial da Fiat no Brasil, onde destacou os investimentos de R$ 30 bilhões que o grupo realizará entre 2025 e 2030, além da criação de 2.000 novos empregos, sendo 1.500 em Betim (MG) e 500 em Porto Real (RJ).
Na apresentação, ele enfatizou que o polo industrial de Betim estabeleceu um ecossistema com cerca de 400 fornecedores e que a empresa não opera com montagem em regimes de CKD ou SKD (semidesmontados). Essa informação é relevante, considerando a disputa acirrada entre as montadoras tradicionais e as recém-chegadas chinesas, como a BYD, que tem se beneficiado de isenções fiscais para a importação de veículos semidesmontados.
Filosa também aproveitou a oportunidade para agradecer o apoio do governo à indústria automotiva e convidou Lula para o lançamento do Argo X, a nova aposta da Fiat que chegará ao mercado em breve.
Ao final do encontro, Lula expressou otimismo sobre a expectativa de emplacamento de cerca de 3 milhões de novos veículos no Brasil em 2026 e reafirmou seu compromisso de trabalhar junto aos representantes do setor automotivo para aumentar as exportações para países da América Latina e da África.





