A Volkswagen está implementando uma estratégia de otimização que inclui a redução de seu portfólio de veículos em até 50% até 2030, abrangendo todas as marcas do grupo. Embora a montadora não tenha confirmado quais modelos estarão na lista de descontinuação, informações divulgadas pela revista alemã Bild indicam que o sedã Jetta e a versão global do SUV Taos estão entre os veículos que deixarão de ser vendidos nos próximos anos.
Essa reestruturação tem como objetivo diminuir a complexidade da gama de produtos em 75% até o final da década, o que acarretará uma redução na capacidade de produção anual de 10 milhões para 9 milhões de veículos. Essa mudança visa aumentar a rentabilidade da operação global da Volkswagen.
Apesar das preocupações com as mudanças, alguns modelos podem continuar, dependendo das demandas de mercados específicos. O Taos, por exemplo, será descontinuado nos EUA e Canadá, onde não teve grande aceitação, mas permanecerá à venda no Brasil. A Volkswagen já está desenvolvendo um substituto para o Taos, que será produzido em São Bernardo do Campo (SP) e está em fase de testes no país, incluindo um sistema híbrido que estreará na picape Tukan no próximo ano.
O sedã Jetta, que resistiu a cortes em quase toda a linha de sedãs da marca, também está sob risco. Com quase 40 anos de história no mercado dos EUA, o Jetta se beneficiou de sua popularidade, mas a demanda por sedãs médios diminuiu significativamente nas últimas duas décadas. Sem planos para uma nova geração, o modelo deverá ser gradualmente retirado dos mercados em que ainda está disponível.
A reestruturação não afeta apenas a Volkswagen, mas também outras marcas do grupo. O Porsche Taycan, primeiro veículo elétrico da marca, está na lista de cortes e não terá um sucessor direto após o término de seu ciclo atual. O Cayenne Coupe, voltado para o design esportivo e movido a motores de combustão, também deve ser descontinuado, refletindo uma avaliação mais cuidadosa sobre quais segmentos realmente justificam novos investimentos.
Além disso, a Audi também está reavaliando seus SUVs cupês, com modelos como o Q5 Sportback e o elétrico Q6 e-tron Sportback, que podem não receber novas gerações devido a um cenário econômico que exige investimentos significativos em eletrificação. Essa reestruturação profunda do Grupo Volkswagen poderá resultar em uma economia estimada em R$ 38 bilhões (cerca de 6,5 bilhões de euros) até 2031, apenas pela não criação de sucessores para os modelos em descontinuação.
As marcas menores do grupo também estão se adaptando, como a Skoda, que deve descontinuar o Fabia na Europa devido a regulamentações de emissões, e a Cupra, que cortou o recém-lançado Raval. O mercado aguarda detalhes adicionais sobre essa estratégia até outubro, quando a matriz deverá confirmar o novo direcionamento.









